11/07/2026
Relatório da OCDE: as qualificações dos imigrantes estão a ser subaproveitadas
Os imigrantes recentes em Portugal ganham, em média, menos 28% do que os portugueses do mesmo s**o e idade. A principal razão não é uma diferença de remuneração pelo mesmo trabalho, mas o desajuste entre as qualificações das pessoas e o tipo de emprego a que conseguem aceder.
Os dados constam do relatório International Migration Outlook da OCDE e são também citados pelo Banco de Portugal.
41% dos imigrantes recentes estão empregados abaixo do seu nível de qualificação — um dos valores mais elevados da OCDE, a par de Itália, Noruega e Suécia. 57% trabalham em setores de baixos salários: turismo, restauração e construção.
As causas são estruturais: diplomas não reconhecidos ou reconhecidos com demora, a barreira linguística e, sobretudo, a escassez de oportunidades de trabalho qualificado na economia do país. Trata-se da coorte que chegou entre 2006 e 2015 — pessoas com um percurso de integração já longo no país.
O subaproveitamento das qualificações é uma perda não apenas para os próprios trabalhadores, mas para a economia portuguesa no seu conjunto.
Sobre o número de vagas qualificadas na economia, a associação pouco pode fazer. Mas o reconhecimento de diplomas, a formação complementar e a integração profissional são áreas em que nos propomos trabalhar.