29/05/2026
{Como será viver daqui a 30 anos?
Perguntei ao ChatGPT como seria a vida dos meus filhos daqui a 30 anos.
A resposta levou-me a uma ideia que me parece cada vez mais importante: a casa poderá vir a ter outro significado, talvez muito diferente daquele que ainda hoje lhe atribuímos.
Num mundo marcado pela instabilidade climática, pelo trabalho híbrido, pelo envelhecimento da população e por novas formas de família, a casa poderá deixar de ser vista apenas como abrigo ou investimento. Poderá passar a ser uma infraestrutura de cuidado, autonomia, descanso, trabalho, pertença e proteção.
As casas mais valiosas talvez não sejam apenas as que se situam nas zonas mais prestigiadas. Poderão ser, cada vez mais, aquelas que permitem viver melhor e cuja qualidade se mede por elementos muito concretos: sombra, água, boa construção, proximidade, vizinhança, silêncio, escala humana e capacidade de adaptação.
Também os lugares com sombra, água, proximidade, boa construção e verdadeira vida de bairro poderão tornar-se mais desejáveis do que zonas apenas “premium”, no sentido em que hoje as entendemos.
Já vemos sinais disso em Coimbra, em Lisboa e noutras cidades. Refiro-me à importância crescente da vizinhança, da proximidade e da possibilidade de viver com mais qualidade no quotidiano.
Comprar casa poderá tornar-se ainda mais difícil em muitas cidades. Ao mesmo tempo, poderão ganhar espaço novas formas de habitar: co-living sofisticado, casas intergeracionais, comunidades energéticas, habitação flexível, vida entre cidade e território rural, ou a reabilitação de casas antigas com tecnologia integrada.
O valor da casa deixará, por isso, de se resumir ao abrigo. Será também refúgio, infraestrutura de trabalho, suporte à saúde mental, espaço de pertença e forma de proteção.
A relação com o clima será inevitável. Todos viveremos com maior consciência do calor extremo, da água, da alimentação, da energia, da mobilidade e da qualidade ambiental.
As cidades que souberem adaptar-se a estas mudanças serão especialmente valorizadas.
Talvez o verdadeiro luxo deixe de estar apenas na localização ou nos acabamentos.
Talvez passe a estar na possibilidade de viver num lugar que protege, respira, onde se respira, se acolhe e permite construir futuros.