16/10/2026
𝙽𝙾𝚃𝙰 𝙳𝙴 𝙸𝙼𝙿𝚁𝙴𝙽𝚂𝙰
𝗙𝗘𝗗𝗘𝗥𝗔ÇÃ𝗢 𝗔𝗚𝗥Í𝗖𝗢𝗟𝗔 𝗗𝗢𝗦 𝗔Ç𝗢𝗥𝗘𝗦 𝗗𝗘𝗨 𝗣𝗔𝗥𝗘𝗖𝗘𝗥 𝗡𝗘𝗚𝗔𝗧𝗜𝗩𝗢 À 𝗔𝗡𝗧𝗘𝗣𝗥𝗢𝗣𝗢𝗦𝗧𝗔 𝗗𝗘 𝗣𝗟𝗔𝗡𝗢 𝗘 𝗢𝗥Ç𝗔𝗠𝗘𝗡𝗧𝗢 𝗗𝗢 𝗚𝗢𝗩𝗘𝗥𝗡𝗢 𝗥𝗘𝗚𝗜𝗢𝗡𝗔𝗟 𝗣𝗔𝗥𝗔 𝟮𝟬𝟮𝟳
O presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA) disse esta tarde que a anteproposta de Plano e Orçamento do Governo Regional para 2027 mereceu o Parecer negativo por parte dos agricultores.
“O Plano é fraco, mal concebido, prejudica claramente a agricultura e é uma afronta aos agricultores”, alegou Jorge Rita, numa conferência de imprensa, esta tarde, em Angra do Heroísmo.
Segundo Jorge Rita, a anteproposta de Plano de Investimentos para 2027, contempla uma verba de 51,7 milhões de euros para o setor, quando em 2026 o montante atingia os 72 milhões de euros. O presidente da FAA argumenta que a redução de 29 Milhões de Euros no Plano “é inaceitável” porque resulta “em menos 21% no apoio ao associativismo, e promove o desinvestimento em infraestruturas agrícolas essenciais, como seja a manutenção e construção de caminhos agrícolas e o abastecimento de água e energia elétrica às explorações, com uma redução de 50%, o que é inaceitável”, precisou.
“Foi a pior redução registado no Plano e Orçamento, nos últimos 20 anos na Região Autónoma de Açores. Não estou a dizer só no montante total, mas na expectativa que nós tínhamos, atendendo ao aumento da inflação, dos custos, das necessidades que o setor tem, neste momento”, frisou.
O responsável lembrou que do Plano e Orçamento do ano corrente há ainda verbas em atraso referentes a apoios aos agricultores e às associações, e manifestou também “grande preocupação” pelo PEPAC. “O Programa tem mais dois anos de execução e as verbas a alocar por parte da Região não existem, por isso vamos estar sujeitos a transferências anuais, correndo o risco de cativações em janeiro”.
Jorge Rita teme o agravamento das dificuldades, tendo em conta a fragilidade do sector, por via dos aumentos “brutais” dos custos de produção e da baixa do preço do leite que a indústria paga aos produtores. “Por tudo isto, o descontentamento dos agricultores e das suas organizações é total”, considerou.
O presidente da FAA reiterou a urgência do pagamento de 23 milhões de euros devido pela República aos agricultores açorianos, prometido desde 2022, devido ao conflito na Ucrânia e não cumprido até â data. “A República discriminou totalmente os agricultores do arquipélago. O PS não pagou, o governo de Montenegro assumiu compromisso público de pagar, sublinhando até que a situação era injusta, mas o compromisso ainda não passou para o papel não estão previstos na proposta de Orçamento do Estado para 2027.”, sustenta.
“Onde estão os deputados regionais em relação a essa matéria? Onde é que está esta discussão? Onde é que está o Governo Regional?”, questionou Jorge Rita.
O presidente da FAA lamentou também que os 3 milhões de euros anunciados pelo Governo da República, em junho, para fazer face aos fertilizantes e a outros fatores de produção, esteja ainda “encalhados nos papéis”, disse.
Na mira dos representantes dos agricultores está também o próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034 da União Europeia, cujo avanço das negociações lança outra “grande preocupação” sobre a agricultura açoriana. “Possivelmente vamos ter menos verbas, podemos perder o estatuto de ultraperiferia, vamos perder ajudas do POSEI e vamos depender da vontade de Montenegro e de outros Montenegros”, avisou.
Angra do Heroísmo, 16 de outubro de 2026