08/10/2026
Amanhã - DIA 9 de outubro - 18H30 - SALÃO NOBRE DOS PAÇOS DO CONCELHO DE ANGRA DO HEROÍSMO
Património. Arquiteta Antonieta Reis Leite profere a conferência inaugural do projeto
Educação.Projeto reúne Instituto Histórico da Ilha Terceira, Câmara de Angra do Heroísmo e Escola Tomás de Borba em torno de um programa de palestras, workshops e visitas comentadas.
O Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT) estabeleceu uma parceria com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e com a Escola Tomás de Borba para desenvolver, ao longo de 2026 e 2027, um projeto de Educação Cultural Patrimonial, que inclui palestras, workshops e visitas comentadas.
"Na perspetiva do Instituto Histórico da Ilha Terceira, a educação patrimonial também diz respeito a todo o processo educativo cujo tema central é o património cultural. Este processo promove o conhecimento, a valorização e a preservação do património, que pode ser tangível, como monumentos, obras de arte, artefactos arqueológicos, entre outros, ou intangível, como tradições, danças, festas populares ou saberes tradicionais", defende o presidente do IHIT, José Olívio Rocha.
"Revela-se também nas atitudes e comportamentos mais banais, como atirar lixo para o chão ou desrespeitar objetos que contam histórias e representam valores e comportamentos cívicos fundamentais", afirma.
A conferência inaugural do projeto realiza-se amanhã, pelas 18h30, nos Paços do Concelho de Angra do Heroísmo. A convidada é Antonieta Reis Leite, arquiteta e historiadora da arquitetura e do urbanismo, que vai abordar o tema "Os usos do passado: Patrimónios, Memórias e Lugares".
A investigadora considera a iniciativa "louvável" e necessária. "A educação patrimonial é a base, no fundo, do reconhecimento e da construção da identidade, das pessoas sentirem que pertencem à própria cidade, neste caso Angra. Trata-se de compreender o património como um bem coletivo e não como uma herança histórica distante que apenas temos de conservar. É algo vivido e partilhado por todos", disse ao DI.
Segundo Antonieta Reis Leite, Angra do Heroísmo tem uma história particularmente relevante para transmitir às gerações mais novas. "Angra é, em si, um bem patrimonial muito importante e tem na sua história essa marca. Foi reconstruída após um sismo devastador, precisamente porque o coletivo sentiu que era importante reconstruí-la. Poderia ter optado por abandoná-la e erguer uma nova cidade, como aconteceu noutros contextos. Essa marca distingue Angra de muitos outros locais onde ocorreram catástrofes", recordou.
"Essa história, a minha geração ainda se lembra dela, mas as gerações mais recentes não. Portanto, não é mau também lembrá-la, na medida em que as pessoas precisam de perceber o que estão a valorizar. A História serve para isso. Não deve ser apenas o estudo do passado, mas ajudar-nos a compreender o presente e a construir um futuro melhor para o património e para as pessoas", frisou a investigadora no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
A primeira sessão destinada aos alunos decorre a 12 deste mês, na Tomás de Borba, contando também com a participação de turmas das escolas secundárias Jerónimo Emiliano de Andrade, de Angra do Heroísmo, e Vitorino Nemésio, da Praia da Vitória.
Ruas de Angra
serão
sala
de aula
Segue-se uma segunda sessão, a 20 de novembro, no Centro Interpretativo de Angra do Heroísmo, subordinada ao tema "Sistemas de construção e preservação".
"Serão focados os aspetos estruturais, as práticas construtivas adequadas e integradas na realidade insular angrense e terceirense, sob o prisma dos saberes e práticas empíricas do saber-fazer de Mestre Paulo e a sua validação pelo conhecimento científico do engenheiro José Henrique Correia Guedes", refere o presidente do IHIT.
Já a terceira sessão, agendada para 14 de dezembro, incide sobre o tema "Fachadas arquitetónicas de Angra: varandas, molduras, calçadas e lojas históricas", sendo dinamizada por José Avelino Santos e Maduro-Dias.
Para José Olívio Rocha, existe um ciclo que importa preservar: "A educação patrimonial é importante porque utiliza o próprio património como fonte histórica para o conhecimento histórico. O contacto direto com os bens desperta a curiosidade, conduz à investigação e, finalmente, promove a educação para os bens culturais, para a sua importância e para os cuidados que exigem. É um ciclo que se mantém".
"O Património das Águas: os fontanários", "A Estatuária e os espaços públicos de convívio (praças, jardins e coretos)", "O Cancioneiro Açoriano: narrativa das micro-histórias" ou "A Terceira de Vitorino Nemésio" são alguns dos temas previstos para 2027.