30/04/2025
No passado dia 23 de abril, dia Mundial do Livro, a AJA, representada pelo peticionário Afonso Alves, apresentou a petição «Pela criação de uma Biblioteca Municipal em Aljezur» na 2ª sessão ordinária de 2025 da Assembleia Municipal. Ficamos a aguardar uma resposta por parte do orgão executivo da Câmara.
"Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia Municipal e restante mesa,
Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal e demais Vereadores,
Excelentíssimos Senhores Deputados,
Excelentíssimos Munícipes aqui presentes,
Hoje apresentamos esta petição para reafirmar a importância da criação de uma Biblioteca Municipal em Aljezur. Este pedido reflete a vontade dos nossos cidadãos – comprovada pelas 425 assinaturas reunidas– e baseia-se numa análise cuidadosa do perfil do nosso concelho.
Quando analisamos o panorama nacional, encontramos dois pontos relevantes:
● Municípios com Poucos Habitantes: Entre os concelhos mais despovoados de
Portugal, pelo menos cinco já têm biblioteca municipal. Isso demonstra que, mesmo em contextos de menor dinamização económica, onde as populações são mais
envelhecidas e as comunidades menos ativas, o investimento em cultura é considerado prioritário.
● Municípios Sem Biblioteca Municipal: Dos quatro outros concelhos sem biblioteca
municipal – Terras de Bouro (10,00 % de população infantil e 0,29 % de residentes
estrangeiros), Marvão (9,42 % e 0,93 %), Vila Viçosa (10,89 % e 0,35 %) e Calheta
(Açores) (11,91 % e 0,27 %) – observam‑se perfis demográficos marcadamente
envelhecidos e pouco diversificados; em contraste, Aljezur apresenta 12,07 % de
população infantojuvenil e 4,89 % de estrangeiros, refletindo um tecido comunitário
significativamente mais jovem e multicultural que reforça a exigência de um espaço fixo para apoio ao estudo e à integração cultural.
Sabemos que está prevista a implementação de uma biblioteca itinerante, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência. Reconhecemos que, por ser móvel, ela permite levar livros a diferentes pontos do concelho e oferece, ainda que momentaneamente, um espaço físico de leitura. Contudo, essa solução apresenta enormes limitações que uma biblioteca construída não tem:
● Acesso Intermitente: o tempo de acesso aos livros e recursos é restrito. Além disso,
os estudantes e investigadores necessitam de um ponto de apoio regular para
desenvolverem os seus estudos.
● Acervo Limitado: Uma biblioteca itinerante, pela sua natureza móvel, dispõe de um
acervo reduzido e menos diversificado, comprometendo a profundidade da leitura e da pesquisa, a variedade de consultas e a experiência de exploração que uma biblioteca fixa proporciona.
● Consistência e Consolidação: Uma biblioteca fixa permite a consolidação de um
acervo extenso e uma programação cultural contínua, fatores essenciais para criar um
ambiente de estudo e de dinamização cultural que perdure no tempo.
Além disso, a existência de um espaço de estudo dedicado aos jovens é fundamental para elevar a taxa de sucesso escolar. Um ambiente apropriado para o estudo não só incentiva a aprendizagem, mas também contribui para a coesão social e o desenvolvimento cultural da comunidade.
Com o devido respeito, não estamos aqui para discutir se a responsabilidade pela
implementação da biblioteca é do Ministério da Cultura ou de outras instâncias. Para os Aljezurenses, o ponto central é: porque é que a situação ainda não foi resolvida? Não nos interessa apontar competências, mas sim obter resultados concretos:
● Se há entraves administrativos, estes devem ser superados com diálogo e ação
decisiva.
● Se a responsabilidade é das instâncias superiores e é necessário pressioná-las, que tal seja feito até se verem resultados. Aliás, convidamos o Sr. Presidente da Câmara a
divulgar a ata desta assembleia com a Ministra da Cultura.
● Aljezur não pode continuar a esperar enquanto a falta de uma biblioteca municipal
prejudica o acesso à cultura e ao conhecimento.
Senhoras e Senhores Deputados, os e as Aljezurenses não querem ficar na penumbra,
merecem uma Biblioteca Municipal fixa e digna. Embora a biblioteca itinerante ofereça vantagens – como a mobilidade e o acesso temporário a um espaço de leitura – ela não consegue proporcionar a consistência, a agenda cultural, o acervo amplo e o ambiente permanente que uma biblioteca fixa oferece.
Para além disso, pode facilmente ser interpretada como uma solução que, em vez de visar o interesse popular, visa a satisfação de uma estatística nacional completamente alheada da nossa realidade e necessidade.
A análise comparada evidencia que, enquanto municípios com perfis demográficos mais desfavoráveis investem em bibliotecas municipais, Aljezur apresenta um perfil dinâmico e promissor, com crescente presença de jovens e imigrantes. Então porque é que eles conseguem e nós não? Este cenário justifica plenamente o investimento numa biblioteca que funcione como um verdadeiro espaço de estudo, aprendizagem e dinamização cultural.
Nós somos um grupo sério, preparado e determinado a defender o futuro cultural e educativo do nosso concelho. Há que ultrapassar os entraves e dar prioridade aos investimentos que os munícipes querem ver acontecer, que são essenciais para o desenvolvimento da nossa comunidade.
Pela cultura, pela verdade e pelo futuro.
Aljezur merece.
Bem-hAJA."
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