Associação dos escritores de vilankulos

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Colhido do Livro " Além da Ruína"De Toy Jamal Hélder."Moçambicano Ama?Diz-se que não.pois na terra onde brotava o algodã...
19/06/2026

Colhido do Livro " Além da Ruína"
De Toy Jamal Hélder.

"Moçambicano Ama?

Diz-se que não.
pois na terra onde brotava o algodão,
agora escuta-se os gritos de balas,
E a poeira dança no rastro da fuga.

Diz-se que não sente,
Enquanto as chamas consomem aldeias,
E o solo, tão rico de promessas,
bebe o sangue dos sonhos desfeitos.

Será que moçambicano Ama?
Ou perdeu -se na sombra da ganância,
Onde a paz é um eco distante,
e o amor,um cativo nas correntes da dor?
No coração do povo ferido
habita uma chama que resiste,
uma fé que renasce entre ruínas:
-O amor nunca desiste.

Moçambicano ama ,sim,
Mesmo quando a terra o rejeita,
Mesmo quando a noite é amarga,
o amor persiste,pois é raiz profunda.
Discordo!

De Toy Jamal Hélder!
pág 15-16
in "Além da Ruína"
publicado em 11.05.25

Todos direitos autorais reservados!







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Enquanto muitos jovens Frequentam bares todo o tempo, os jovens da Associação dos Escritores e Declamadores de Vilankulo...
15/06/2026

Enquanto muitos jovens Frequentam bares todo o tempo, os jovens da Associação dos Escritores e Declamadores de Vilankulo frequentam clubes de leitura.

Sabias que em Vilankulo,temos um clube de leitura? Sim, temos!
O clube de leitura é constituído por jovens escritores,poetas, Declamadores e leitores, Organizado pela Associação dos Escritores e Declamadores de Vilankulo (AEDV) com a sua pequena e pouca Biblioteca móvel, têm adornado a Arena Municipal,pelas 15h,todos os Domingos!

No clube de leitura não lemos somente, Criticamos, Solucionamos dúvidas literárias, declamamos, ensinamos a declamar e acima de tudo, incentivamos a leitura!

Estas imagens mostram o pretérito perfeito da tarde do Domingo Com a AEDV.
Convidamos todos os jovens,amantes da Literatura para fazer parte nos breves encontros para enriquecer a mente!



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MUKWACHE VS MUKOMWANA, OS CONCUNHADOS DA TRADIÇÃONas famílias do sul de Moçambique existem palavras que parecem pequenas...
13/06/2026

MUKWACHE VS MUKOMWANA, OS CONCUNHADOS DA TRADIÇÃO

Nas famílias do sul de Moçambique existem palavras que parecem pequenas, mas carregam mundos inteiros dentro delas.
Uma dessas palavras é Mukwache. Outra é Mukomwana.

Para quem observa de fora, ambas podem signif**ar apenas "genro". Mas quem cresceu a ouvir conversas de quintal sabe que existe entre elas a mesma distância que separa uma promessa de uma realidade.

Mukwache é o homem que já foi apresentado à família da noiva. Já deixou de ser um estranho. O seu nome é conhecido. A sua presença é tolerada. Recebe sorrisos, cumprimentos e alguns privilégios.
Mas há limites invisíveis.
Limites que ninguém escreve, mas todos conhecem.

Já o Mukomwana é outra história.
Passou pela apresentação.
Passou pelo lobolo.
Assumiu compromissos perante as duas famílias.
Não é apenas o homem da filha.
É um membro da família.
Quando fala, é ouvido.
Quando opina, é considerado.
Quando chega, não precisa pedir licença para se sentir em casa.
É a diferença entre alguém que está a entrar e alguém que já entrou.

Foi entre esses dois mundos que as vidas de Milton e Kelven se cruzaram.

Milton era estudante do terceiro ano de Engenharia de Minas.
Vinha de uma família humilde.
Humilde ao ponto de a palavra orçamento parecer uma piada.

Na casa dos seus pais, o dinheiro nunca tinha sido uma presença constante.
Era mais parecido com um visitante imprevisível.
Aparecia sem avisar.
Desaparecia sem explicação.

Mesmo assim, Milton carregava consigo aquela teimosia silenciosa que costuma existir nos jovens que cresceram sem nada e decidiram que um dia haveriam de mudar o próprio destino.

Foi durante esse período que conheceu Natália.
Ela trabalhava numa loja de cosméticos.
Era bonita sem esforço.
Tinha um sorriso fácil e um olhar que transmitia segurança.
Pertencia a uma família numerosa.
Sete filhos.
Três homens e Quatro mulheres.
Uma casa onde nunca faltavam vozes, discussões, risos e opiniões.
Apaixonaram-se.
Depois veio a apresentação.
As famílias reuniram-se.
Foram trocadas palavras formais, refrigerantes e expectativas.

A relação foi oficializada.
Pouco depois começaram a viver juntos.
Milton ganhou então o estatuto de Mukwache.
Nem namorado.
Nem genro.
Uma espécie de território intermédio.
Aceite, mas ainda em observação.

Do outro lado estava Kelven.
A sua história era diferente.
Muito diferente.
Enquanto Milton calculava cada moeda antes de gastá-la, Kelven movimentava dinheiro diariamente.
Era empreendedor.
Possuía uma pequena ferragem.
Coordenava agentes de carteiras móveis.
Tinha funcionários.
Tinha clientes.
Tinha uma viatura.
E, acima de tudo, tinha algo que as famílias tradicionais valorizam profundamente: Estabilidade financeira.

Já tinha realizado o lobolo.
O casamento civil e religioso estava marcado.
Era Mukomwana.
Daqueles completos.
Certif**ado. Reconhecido. Respeitado.

Nas reuniões familiares a diferença entre os dois tornava-se quase caricatural.

Quando havia cerimónias, aniversários, lobolos ou simples encontros familiares, Milton chegava cedo.
Cedo demais.

Quando os outros ainda estavam a dormir, ele já estava no quintal.
Montava tendas.
Transportava mesas.
Carregava caixas.
Acendia carvão.
Degolava e depenava galinhas.
Lavava recipientes.
Gelava cervejas.
Corria de um lado para outro.

Era impossível organizar um evento sem encontrar Milton em algum lugar do quintal coberto de suor.

Kelven, por sua vez, surgia horas depois.
Vestido com calma.
Cumprimentava os mais velhos.
Recebia abraços.
Sentava-se na varanda.
Era imediatamente integrado ao círculo dos homens importantes.

Enquanto Milton discutia a melhor forma de acender uma fogueira, Kelven discutia investimentos.
Enquanto Milton carregava grades de bebidas, Kelven era servido.
Enquanto Milton trabalhava, Kelven era homenageado.

Ninguém fazia aquilo por maldade.
Era simplesmente a lógica invisível das famílias.
O Mukwache ajuda.
O Mukomwana supervisiona.

A sogra tinha uma admiração especial por Kelven.
Não era difícil perceber porquê.

Ele raramente aparecia de mãos vazias.
Às vezes trazia sacos de arroz.
Noutras ocasiões açúcar. Refrigerantes. Óleo alimentar.

Gestos simples.
Mas impossíveis de ignorar.
Milton observava tudo.
Via os elogios. Via os sorrisos. Via a forma como a presença de Kelven iluminava os rostos dos mais velhos.

E, apesar disso, nunca demonstrava ressentimento.
Porque conhecia a sua realidade.
Naquele momento, não tinha como competir.
Tudo o que possuía era um diploma que ainda não existia e um futuro que ainda ninguém conseguia ver.

O tempo passou.
E o tempo tem uma qualidade que poucos valorizam quando são jovens.
Ele muda tudo.
Milton concluiu a licenciatura.
Conseguiu emprego numa empresa mineira em Tete.

Pela primeira vez na vida, o dinheiro começou a chegar regularmente.
Depois vieram as promoções.
Os subsídios. As viagens. As oportunidades.

O rapaz que antes calculava cada metical começou lentamente a construir uma vida sólida. Comprou terreno. Construiu casa. Ajudou os pais. Ajudou os irmãos. Estabilizou-se.
Então fez o que sempre desejara fazer.
Lobolou Natália.

A cerimónia reuniu familiares de ambos os lados.
Os anciãos falaram. As famílias celebraram. As formalidades foram cumpridas.

Naquele dia, Milton deixou oficialmente de ser Mukwache.
Tornou-se Mukomwana.
Pouco depois realizou o casamento civil e religioso.

O ciclo estava completo.
E então aconteceu algo curioso.
Não foi repentino.
Mas foi evidente.
As pessoas começaram a tratá-lo de maneira diferente.
Muito diferente.
As suas opiniões passaram a ter peso.
Os seus conselhos passaram a ser solicitados.
Os seus telefonemas passaram a ser atendidos mais rapidamente.

Até a sogra parecia ter descoberto virtudes que antes nunca mencionara.
— Sempre gostei muito do Milton — dizia ela.
E os irmãos de Natália trocavam olhares discretos.
Porque todos se lembravam perfeitamente do rapaz que passava horas a depenar galinhas atrás da cozinha.

Mas a vida ainda tinha mais ironias reservadas.
Enquanto a carreira de Milton florescia, os negócios de Kelven começaram a perder força.
A concorrência aumentou.
Alguns investimentos falharam.
O mercado mudou.
Nada catastrófico.
Nada dramático.
Mas suficiente para reduzir a distância económica que antes separava os dois homens.

Pouco a pouco, o centro de gravidade da família começou a deslocar-se.
As atenções migraram.
Os elogios mudaram de direcção.
As expectativas também.

Numa reunião familiar realizada anos depois, Milton estava sentado exactamente no lugar onde antes se sentava Kelven.

Ao seu redor encontravam-se os anciãos. Os tios. Os homens influentes da família.

Do quintal chegavam os sons dos jovens montando tendas.
Carregando cadeiras.
Preparando galinhas.
Fazendo exactamente o mesmo trabalho que ele próprio fizera durante anos.

Kelven aproximou-se e sentou-se ao seu lado.
Ficaram alguns instantes em silêncio.
Observando a movimentação.
Depois Kelven apontou para um rapaz que corria carregando uma caixa de refrigerantes.
— Estás a ver aquele?
— Estou.
— É o novo Mukwache da família.
Milton sorriu.

Um sorriso carregado de memória.
Porque naquele rapaz via-se a si próprio.
Via os seus anos de invisibilidade.
Via os seus sacrifícios.
Via o longo caminho percorrido.
Os dois permaneceram calados por alguns momentos.

Até que Kelven falou novamente.
— Engraçada esta vida.
— Porquê?
— Porque passamos anos a acreditar que as pessoas respeitam títulos.
Milton olhou para ele.
— E não respeitam?
Kelven abanou a cabeça.
— Respeitam aquilo que os títulos representam:
Estabilidade Financeira. Segurança. Capacidade de cuidar dos outros.
Milton ficou pensativo.

Ao longe, os jovens continuavam a correr pelo quintal.
Os mais velhos continuavam a conversar.
As mulheres continuavam a preparar comida.

E ele compreendeu que talvez aquela fosse a verdadeira diferença entre Mukwache e Mukomwana.

Não estava apenas nas cerimónias.
Nem nos presentes.
Nem nos privilégios.
Estava na responsabilidade.
Porque qualquer homem pode tornar-se Mukomwana através do lobolo.
Mas apenas alguns conseguem tornar-se verdadeiramente filhos da família.

E essa promoção não é concedida pelos tios. Nem pelas tias. Nem pelos anciãos.
É concedida pelo tempo.
O único juiz que nunca se deixa impressionar por aparências.
Sigam a página Moz Inquieto para mais contos.
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Clube de leitura em Vilankulo!A Associação dos escritores e declamadores de Vilankulo (AEDV) Realizou na tarde do doming...
08/06/2026

Clube de leitura em Vilankulo!

A Associação dos escritores e declamadores de Vilankulo (AEDV) Realizou na tarde do domingo, o seu clube de leitura,onde Reuniu-se poetas, escritores, leitores e declamadores para uma troca de experiências literárias.

Na sentada, há quem trouxe livro de poesia, há quem nos trouxe romance, há quem nos trouxe contos.
A tarde de ontem esteve recheada de Mosaico literário, onde mentes jovens e amantes da literatura encontram lazer,encontram abrigo.

A associação dos escritores e declamadores de Vilankulo, vem alavancar a literatura em Vilankulo,dando mais credibilidade e brilho, compilando com lançamentos de novos talentos.

'Em Vilankulo, a Literatura é uma Aurora "








Bom dia.Hoje tem Clube de leitura!vamos?
07/06/2026

Bom dia.
Hoje tem Clube de leitura!

vamos?

📢 RESULTADOS – INHAMBANE SLAM🎤 Naldo Francisco Vilanculo e Rafael Narcisio Vilanculo são os apurados da 2ª Eliminatória ...
31/05/2026

📢 RESULTADOS – INHAMBANE SLAM

🎤 Naldo Francisco Vilanculo e Rafael Narcisio Vilanculo são os apurados da 2ª Eliminatória do Inhambane Slam!

Com poesia e talento, garantiram vaga nas Semi‑Finais Nacionais da 8ª Edição do MOZ SLAM, em Quelimane (16‑21 Novembro 2026). Estão de parabéns! 🎉

🗓️ PRÓXIMA ELIMINATÓRIA EM INHAMBANE

Fiquem atentos às nossas redes – em breve divulgaremos a data da próxima batalha em Vilankulos.

📞 Contacto: 87 042 6447 / 83 476 6701

🎤 A poesia tem poder. O palco espera por ti!


MOZ SLAM- Campeonato Moçambicano de Poesia Falada

E SE A BARRIGA FOSSE TRANSPARENTE!!!Há pessoas neste país que já não comem. Apenas negociam tréguas com a fome.Gente que...
27/05/2026

E SE A BARRIGA FOSSE TRANSPARENTE!!!

Há pessoas neste país que já não comem. Apenas negociam tréguas com a fome.
Gente que acorda cedo, ferve água, mistura tapioca e açúcar, mexe aquilo com colher de esperança e chama de Matabicho. Aquilo não alimenta. Aquilo distrai o estômago. É conversa fiada em forma de papa. O organismo recebe e pergunta se o almoço vem atrás. O dono do corpo responde com silêncio e um arroto tímido.

Outros vivem de arroz branco com alface e limão. Nem devia chamar-se salada. Salada é coisa elegante, leva azeite, tomate, cebola, ovo cozido, atum e conversa de rico. Aquilo é apenas alface molhada em tristeza cítrica. É folha com depressão. É capim gourmetizado pela necessidade.

Nas esquinas, há quem matabiche pão com badjias e empurre tudo com Frozy, aquele sumo que parece ter sido gaseif**ado por raiva.

Lá para as minhas bandas existe ainda o lendário prato da resistência social: xima mugaiwa com peixe seco assado na fumaça de páginas de jornal expirado. O peixe sai com sabor de sardinha e manchete política ao mesmo tempo. A pessoa mastiga e quase consegue ouvir notícias antigas entre os dentes.

Mas depois desse ritual alimentar digno de documentário sobre sobrevivência humana, o povo toma banho, passa creme nas rachaduras da dignidade, veste a melhor roupa e sai para trabalhar.
Ou melhor, sai para desarrascar a vida.

Porque aquilo já ultrapassou o verbo trabalhar. Trabalhar pressupõe recompensa. O que muita gente faz hoje é phandar. Phandar é diferente. É uma mistura de sobreviver, improvisar, mendigar oportunidades e correr atrás da vida como quem tenta apanhar chapa em movimento.

Enquanto isso, filhos dos engravatados deslizam pelas avenidas em carros tão luxuosos que até os buracos da estrada sentem vergonha de os tocar. Deputados, ministros, governadores, assessores, consultores dos assessores, amigos dos filhos dos assessores e até o sobrinho da empregada do primo do secretário de Estado circulam em viaturas que bebem combustível como se fossem camelos no deserto.

O povo come ar.
Eles arrotam orçamento.
E nisso eu penso: e se a barriga fosse transparente?
Meu Deus...

Este país virava concurso de radiografia social.
Ninguém andaria descamisado sem motivo. Tirar a camisa seria praticamente declaração bancária. Barriga cheia seria ostentação abdominal. O homem chegaria ao serviço e os colegas logo veriam três camadas de frango, arroz colorido, sumo natural e sobremesa repousando felizes no intestino.
Os pobres esconderiam o abdómen como quem esconde senha de banco.

Namoro deixaria de depender de perfume ou conversa bonita. O rapaz simplesmente levantaria a camisa e exibiria uma lasanha ainda em digestão lenta, duas fatias de pizza boiando no ácido gástrico e um matabicho reforçado com ovos, rachel e fiambre importado da África do Sul.
As moças suspirariam.
Não por amor.
Por nutrientes.

Casamento seria decidido no aparelho digestivo. A sogra já nem perguntaria profissão. Bastaria observar o trânsito intestinal do pretendente.
Porque barriga transparente acabaria com a hipocrisia social.

Hoje a roupa mente muito. Há gente de sapato brilhante e Barriga vazia. Gravata apertada segurando fome antiga. Perfume caro borrifado sobre corpo alimentado a Água quente sem açúcar.

O pobre tornou-se especialista em parecer bem alimentado. É teatro nutricional.

O homem mastiga vento em casa e sorri na rua com hálito de Colgate aquafresh para ninguém descobrir que o almoço foi apenas memória.

Se barriga fosse transparente, certas reuniões políticas seriam proibidas em horário de refeição. O povo veria camarões desfilando nos intestinos dos dirigentes enquanto o cidadão comum carregaria apenas um copo de água morna passeando solitário no abdómen.

Os comícios mudariam de nome.
Passariam a chamar-se exposição gastronómica governamental.
E talvez fosse por isso que ninguém desejaria mais andar sem camisa.

Porque pobreza dói, mas pobreza visível humilha. A fome escondida ainda permite dignidade estética. O estômago vazio pelo menos hoje usa Casaco.

Mas se a barriga fosse transparente, muita gente descobriria que neste país há corpos vestidos de classe média sustentados por intestinos de refugiados de guerra.
E talvez os mais perigosos já não fossem os ladrões.
Seriam os bem alimentados.
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O PORTUGUÊS MOÇAMBICANO E OS PUTOS QUE JÁ NÃO ENTENDEM DE   GRAMÁTICAO português chegou a Moçambique de fato e gravata, ...
26/05/2026

O PORTUGUÊS MOÇAMBICANO E OS PUTOS QUE JÁ NÃO ENTENDEM DE GRAMÁTICA

O português chegou a Moçambique de fato e gravata, cheio de regras, vírgulas e arrogância colonial. Veio dizendo “isto é cadeira”, “aquilo é mesa”, “não se fala assim”.

O moçambicano ouviu tudo com respeito, mas por dentro já estava a traduzir para a própria alma. Porque nenhuma língua entra num povo e sai intacta.

O português europeu desembarcou em Moçambique, mas encontrou dezenas de línguas bantu já instaladas, organizadas e vivas. Encontrou changana, sena, macua, ndau, yao, chuabo e tantas outras línguas que não precisavam de autorização de Lisboa para existir.

E foi aí que começou a verdadeira confusão linguística mais bonita da África Austral.
O moçambicano começou a domesticar o português.

E como todo visitante que f**a muito tempo numa casa, o português acabou sendo comido pelos donos.

Foi assim que palavras bantu começaram a entrar no português do dia a dia sem pedir licença.

Uma delas é “maning”.
Etmologicamente, “maning” vem do Sena, uma das línguas de Sofala. Mas hoje já não pertence apenas ao povo Sena. Cresceu tanto que virou património nacional informal. Em Map**o, Tete, Beira, Nampula ou Niassa, toda gente usa "Maning" como se tivesse nascido no dicionário português.

E o mais engraçado é que “Maning” já não signif**a só uma coisa.

“Estou maning nervoso.” Aqui signif**a “muito”.
“Gostei maning do passeio. Aqui signif**a “gostei bastante”.
“Há maning cenas aqui.” Aqui signif**a exagero, abundância, confusão, excesso de informação.
A palavra virou uma " Chave-puta" linguístico. Serve para quase tudo. O português europeu ainda tenta perceber o que aconteceu, mas já é tarde.

E depois veio a “Xima”.
O colono Branco disse: “Massa de farinha de milho.”
O moçambicano respondeu: “Xima.”
E acabou.
Porque ninguém chega numa terra para explicar ao dono da panela o nome da comida que ele come desde os antepassados.

“Xima”, derivada de “N'sima”, outra vez do Sena, venceu a guerra da nomenclatura. Hoje, se alguém disser “Massa de farinha de milho”, parece funcionário antigo do ultramar a ler relatório colonial.

Mas a criatividade moçambicana não parou aí.
Em Moçambique já não se vende Macarrão. O povo decidiu sofisticar o assunto. Agora chama-se “Massa”.
E toda gente entende.

Mas convenhamos: se aquilo é “Massa”, então devíamos comer “Massada”. Só que não. O prato continua sendo Macarronada, porque nasceu do Macarrão. O povo mudou o nome do produto, mas deixou o nome da receita quieto. É uma incoerência deliciosa.

E há ainda o clássico fenómeno do OMO.
Em Moçambique, qualquer detergente em pó é OMO.
Não interessa se é Surf, Só Klin, MAQ, Sunlight ou outra marca qualquer. Caiu no balde, virou OMO.
E até faz sentido. O primeiro detergente em pó que ganhou fama foi OMO. O moçambicano fez o que os povos fazem quando uma marca domina o mercado: transformou a marca em substantivo universal.
Tal como muita gente chama Pasta dentífrica de Colgate.

O moçambicano simplif**a a vida sem pedir autorização ao Branco de Lisboa.

E nem os animais escaparam da criatividade nacional.
Em muitos países lusófonos, vaca tem patas. Em Moçambique, às vezes parece que o animal foi promovido à condição humana.
Ouve-se tranquilamente: “Vou ao talho comprar mão de vaca.”
E ninguém estranha.
Não interessa que biologicamente a vaca tenha patas. No português moçambicano, aquela parte específ**a do animal virou mão. E pronto. A gramática protesta, a zoologia desmaia, mas o povo continua a cozinhar.

Mas quando finalmente parecia que estávamos a construir um Português moçambicano sólido, com identidade própria, apareceram os jovens da actualidade.

Os p**os atropelaram tudo.
A nova geração já não fala português, changana, sena, Nhúngue ou inglês. Fala uma mistura radioactiva de bairro, internet, TikTok, música sul-africana e muito calão.

Hoje um jovem consegue dizer: “Kota, esse m
Mobile está Maning Clean.”
E toda gente entende.

“Mobile” veio do inglês “mobile phone”, porque Moçambique vive cercado de países de língua oficial inglesa. Entre África do Sul, Zimbabwe, Zâmbia, Malawi, Eswatini e Tanzânia, o ouvido moçambicano acabou por importar palavras inglesas quase sem notar.
Já “clean” foi promovida de simples adjectivo inglês para certif**ado social de qualidade.

No português do Colono, a frase Assim: “Mano, esse celular é legal, não é roubado.”
Mas no português moçambicano moderno, “clean” pode signif**ar várias coisas ao mesmo tempo: O telefone não é roubado, não tem problemas funcionais, está em boas condições ou simplesmente é um bom aparelho para usar.

Ou seja, o inglês entrou pela fronteira, misturou-se com o português e foi viver definitivamente nos subúrbios.
Mas o verdadeiro golpe de misericórdia veio quando as palavras começaram a signif**ar o contrário delas mesmas.

Em Moçambique, por exemplo, “Mau” já não é necessariamente mau.

“Aquele broh é mau.”
Dependendo do contexto, isso pode signif**ar que a Pessoa é perigosíssima, extremamente habilidoso ou simplesmente muito bom no que faz. O adjectivo perdeu o emprego original e arranjou novos trabalhos.

Um jogador que Joga bem é mau.
Um ladrão perigoso também é mau.
Um gajo inteligente na facukdade é igualmente mau.
A palavra ficou sem bússola moral.

E depois há expressões que, para um português europeu recém-chegado, soariam como insulto ou falta de educação.

“Caga-lá.”
Em teoria parece ordem nojenta. Mas no português moçambicano isso normalmente signif**a: “Deixa estar.” “Desiste disso.” “Não vale a pena.” “Segue a vida.”
Ou seja, a expressão saiu da casa de banho e entrou oficialmente na psicologia social.

A gramática já não anda. Aqui, ela se arrasta.

Os verbos sofrem agressões diárias.
“Eu vou bazar.” “Ela me ignorou maning” “Essa cena não bate.”

As frases começam em português, passam no inglês, fazem escala nas línguas bantu e terminam numa língua inventada.

E o mais assustador é que funciona.
Os mais velhos reclamam: “No nosso tempo falava-se português correcto.”

Mentira.

O moçambicano nunca falou português “correcto”. Falou português moçambicano. E isso são coisas diferentes.

A diferença é que antigamente o erro levava tempo para se espalhar. Hoje basta um p**o viralizar uma expressão no TikTok ou Facebook e, em duas semanas, o país inteiro já está a dizer: Txopela, Nhonga, Xitique, Singuitar, Dar gás e tantas outras.

O português europeu veio ensinar regras. O moçambicano respondeu com criatividade. E os p**os chegaram para transformar tudo num laboratório sem controlo.

Resultado?
Hoje falamos uma língua que Luís Vaz de Camões provavelmente não entenderia, mas que qualquer moçambicano reconhece imediatamente como sua.

E isso é maning Nice.
Siga a página Moz Inquieto para mais reflexões

*INHAMBANE SLAM – 1ª EDIÇÃO**2ª ELIMINATÓRIA*Data: 📅 30 de MaioLocal:📍 Restaurante & Bar Nyelete– Cidade de VilankulosHo...
21/05/2026

*INHAMBANE SLAM – 1ª EDIÇÃO*
*2ª ELIMINATÓRIA*

Data: 📅 30 de Maio
Local:📍 Restaurante & Bar Nyelete– Cidade de Vilankulos
Horario:⏰ 17h00

🎟️ ENTRADAS
· 50 MT – Normal (1 pessoa)
· 100 MT – Promoção (3 pessoas)

💳 Pagamentos via E‑mola: 87 042 6447 (Ivan Tembe)

🎭 OPEN MIC
🎤 Poesia falada | Dança | Stand‑up comedy | Música acústica

📌 Inscrições gratuitas – 30 minutos antes do evento, no local.

✨ A arte fala! Poesia tem poder!

Endereço

Vilankulo

Website

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