07/08/2026
Na última sexta-feira, durante uma reunião de gabinete em Camp David, Donald Trump confirmou que Volodymyr Zelensky pediu mísseis para os sistemas Patriot, mas disse que os EUA "não concordaram" em fornecer por agora.
Ele também citou Tomahawks, que Zelensky teria pedido: "um ofensivo, outro defensivo".
As justificativas de Trump
1. Segurança da tecnologia: "Temos de ser muito criteriosos, mas temos de ter muito cuidado. É difícil ceder esse tipo de tecnologia. Há pessoas a quem se dá essa tecnologia e que um dia podem voltar-se contra si"
2. Arsenais dos EUA: Reclamou da ajuda enviada por Biden — "munições no valor de 300 mil milhões de dólares" — e disse que quando deixou o cargo os arsenais estavam cheios e agora estão a ser reconstruídos.
Trump já tinha, em julho, durante um encontro com Zelensky na Turquia, sinalizado que poderia dar uma licença para a Ucrânia fabricar interceptores Patriot PAC-3. Depois de receber Zelensky na Casa Branca esta semana, voltou atrás publicamente.
A Ucrânia está com escassez crítica de interceptores.
- No sábado passado, Zelensky disse que o país "ficou sem mísseis Patriot" e que só 1 dos 27 mísseis balísticos russos foi abatido.
- Só os Patriot PAC-3 conseguem abater mísseis balísticos, que a Rússia tem usado em maior número contra Kyiv e outras cidades.
- Após ataques que mataram 9 pessoas, incluindo 4 crianças, Zelensky escreveu: "Faltam-nos mísseis para os sistemas Patriot. E é precisamente esta escassez que incentiva a Rússia a realizar ataques tão mortíferos".
- Em maio ele já tinha enviado uma carta de 5 páginas à Casa Branca a pedir mais defesas aéreas, dizendo que a proteção de civis depende "fortemente dos sistemas Patriot".
As conversas não foram totalmente cortadas, mas travaram:
- Co-produção: A ideia era licenciar a Ucrânia para fabricar PAC-3. Mas dirigentes da indústria e militares americanos têm reservas por causa da segurança.
- Prazo: Mesmo com acordo, levaria no mínimo 12 meses para começar a produção local.
- Alternativas em análise: Fontes dizem que os EUA estudam opções como a Ucrânia fabricar componentes e fazer a montagem final na Europa. O enviado dos EUA à NATO, Matthew Whitaker, esteve em Kyiv no mês passado para discutir isso.
Trump mudou a lógica da ajuda. Critica os pacotes massivos de Biden e tem preferido o mecanismo PURL: aliados da NATO compram armas americanas e enviam para a Ucrânia. Zelensky queixou-se que "o ritmo atual já não acompanha a realidade da ameaça".
Zelensky pede Patriot com urgência porque a defesa aérea ucraniana está no limite. Trump reconhece o pedido, mas recusa ceder a tecnologia agora alegando risco e reposição dos arsenais americanos. As negociações para alguma forma de produção continuam, mas sem decisão concreta