Enegrescência

Enegrescência ENEGRESCÊNCIA O coletivo foi criado em 2014 e é composto pelos/as poetas David Alves, Gonesa Gonçalves e Lidiane Ferreira.

Enegrescência é um coletivo interessado em enunciar as culturas negras através da educação, da literatura e das artes em geral, através de uma proposta quilombista, entendendo-as como pilares principais para a construção de uma sociedade menos desigual e menos hierarquizada, principalmente em relação aos seus valores epistêmicos. Concebido pelo poeta David Alves, entendemos o termo Enegrescência c

omo uma ação crescente e contínua do enegrecimento dos espaços de poder, de forma que valores civilizatórios africanos e afro-brasileiros, como a circularidade e a ancestralidade, por exemplo, pudessem se tornar elementos ainda mais constitutivos e propulsores de mudanças na sociedade brasileira. Assim, Enegrescência seria a tentativa de propor um novo plano de sociedade, na qual haveria a valorização dos saberes e vivências africanas e afro-brasileiras, não excluindo-se, entretanto, os saberes de origem europeia, mas apresentando-os sem hierarquias, evidenciando também os seus inevitáveis conflitos. Apesar de o termo Enegrescência possibilitar uma remissão a um essencialismo negro, aqui ele está relacionado a correntes que apontam para outras linhas de fuga ligadas à visão dinâmica das sociedades africanas e negro-brasileiras no confronto à a-historicidade e ao discurso hegemônico estereotípico em relação a essas culturas. O Sarau Enegrescência, que ocorre desde o ano de 2014, no Centro Cultural Casa de Angola na Bahia, e, a partir do ano 2019, no Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA (CEAO), é uma das principais atividades do coletivo, no qual visamos difundir obras de autores/as negro-brasileiros/as e africanos/as. Através dos saraus, pretendemos pôr em evidência a estética literária negra e afrodiaspórica, além de discutir questões referentes à identidade etnicorracial, africanidades e afrobrasilidades, mas também quaisquer assuntos relacionados a outros grupos socialmente marginalizados, como indígenas, mulheres e LGBTs, sempre realizando um diálogo interseccional, sendo a literatura o elemento norteador destas discussões. Além da literatura e dos convidados que podem dialogar com tais questões, quando possível, temos apresentações musicais de bandas ou cantores de música popular ou afrodiaspórica, como o rap, o reggae, o samba, o soul, o jazz, tornando o ambiente, ao mesmo tempo, lúdico e reflexivo.

Endereço

Salvador, BA

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