18/05/2026
Neste 18 de Maio, Dia Nacional da Luta Antimanicomial, é impossível falar de saúde mental sem olhar para a realidade das ruas de Curitiba.
Enquanto cresce o número de pessoas vivendo sem acesso à moradia, trabalho, higiene básica e atendimento digno, também aumentam os discursos de ódio, a criminalização da pobreza e as tentativas de tratar a vulnerabilidade social como caso de polícia.
Segundo o Censo da População em Situação de Rua de Curitiba, a capital possui milhares de pessoas vivendo nas ruas, muitas sem acesso regular a água, banho, documentação ou atendimento contínuo.
Nos últimos meses, propostas e ações de acolhimento e internação compulsória voltadas à população em situação de rua voltaram ao debate público em Curitiba. O INRua alerta: políticas baseadas na retirada forçada, sem garantia de moradia, cuidado continuado, autonomia e rede pública estruturada representam um grave retrocesso na política de saúde mental e direitos humanos.
A luta antimanicomial nasceu justamente para denunciar que isolamento, violência institucional e encarceramento da pobreza não produzem cuidado. Produzem exclusão.
O Instituto Nacional de Direitos Humanos da População em Situação de Rua (INRua) atua diariamente denunciando violações de direitos, aporofobia, remoções forçadas e práticas higienistas, além de defender políticas públicas construídas a partir da redução de danos, do cuidado em liberdade e da dignidade humana.
A rua não pode continuar sendo tratada como problema a ser escondido.
Defender CAPS, SUS, moradia digna, cuidado territorial e políticas públicas humanizadas é defender a vida.
Sem liberdade, sem escuta e sem direitos, não existe cuidado.