15/08/2026
Antes da cidade, havia caminhos.
Havia gente seguindo os rios, reconhecendo plantas, cultivando, nomeando lugares, criando formas de viver e de se relacionar com este território. Povos indígenas já faziam daqui espaço de vida muito antes de Sorocaba aparecer nos documentos como vila.
Depois vieram a colonização, a ocupação das terras, a escravização indígena e a chegada forçada de populações negras africanas. Essa história deixou violências profundas — e não precisamos escondê-las para celebrar a cidade.
Porque uma cidade também é feita daquilo que seus povos criam, recriam e fazem permanecer.
Está nos nomes indígenas que pronunciamos todos os dias sem perceber. Nos conhecimentos sobre a terra e os alimentos. Está nas presenças negras que transformaram trabalho em comunidade, fé em resistência, encontro em música, festa, comida e formas de cuidar uns dos outros.
Vieram as tropas, as feiras, as fábricas, novos bairros, novos caminhos. Sorocaba cresceu. Mas nenhuma cidade é construída por uma única história.
Celebrar Sorocaba pode ser também celebrar as muitas formas de vida que fizeram — e ainda fazem — este território existir.
🏛️ | Ilé Alaketu Asè Omon Logunedé (Patrimônio Histórico Cultural e Imaterial de Sorocaba e Utilidade Pública)
Texto: Ìyàwó Fernanda Terra de Ọya
Fernanda Terra