25/08/2026
Quando foi que a infância começou a ter tanta pressa?
Tenho escutado crianças chegarem às sessões de psicoterapia dizendo, de diferentes maneiras, que estão cansadas.
Mas não é o cansaço de quem correu, brincou, inventou, explorou ou viveu intensamente o dia.
É o cansaço de ter que desempenhar.
De precisar aprender rápido.
De passar o dia com o foco em terminar.
De perceber que alguém terminou antes — e aprender que isso parece importar.
De ser colocada em uma competição que não deveria fazer parte da infância.
E algumas falas precisam nos fazer pensar:
“Na escola não dá tempo para fazer amizades.”
“Se demorar para acabar, terá menos tempo para brincar.”
Pouco a pouco, podemos estar ensinando às crianças uma mensagem muito perigosa: brincar é uma recompensa pela produtividade. A produtividade é o que importa. Resultados sao mais importantes que processos.
Mas brincar não é prêmio.
Brincar é parte da infância. É encontro, elaboração, criatividade, vínculo, descoberta e aprendizagem.
Rubem Alves, em A Pedagogia dos Caracóis, nos provoca a pensar que talvez chegar na frente não seja tão importante. Talvez o “estar indo” seja mais educativo do que simplesmente chegar.
Não podemos encarcerar as crianças tão precocemente no tempo cronológico.
Você tem percebido esse cansaço na sua criança?
Você sabe por que ela está cansada? Nos conta aqui?
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