24/09/2026
El Niño e a resiliência dos sistemas alimentares: por que a ponta da cadeia não pode ficar de fora da conversa?
Os sistemas alimentares globais estão entre os setores mais expostos aos fenômenos climáticos extremos, e o El Niño é um dos mais relevantes quando olhamos para seus efeitos sobre as cadeias produtivas.
Alguns dados que merecem atenção de quem lidera operações e tomada de decisões nesse setor:
* Estima-se que os eventos do El Niño afetem o rendimento das colheitas em pelo menos um quarto das terras agrícolas globais;
* O fenômeno altera os padrões de chuva em diferentes partes do mundo, com impacto direto na produtividade, oferta de alimentos e renda dos produtores;
* No Brasil (ciclo 2023/2024), houve expansão das áreas sob risco de seca agrícola, pincipalmente no Norte, Nordeste e Centro Oeste, e de chuvas intensas e concentradas no Sul. Os impactos têm consequências distintas nas regiões e cadeias produtivas;
* Na América Latina, a ONU já alertou que o fenômeno pode agravar a insegurança alimentar de 167 milhões de pessoas, pressionando produção agrícola, abastecimento e sistemas de proteção social.
Esses números reforçam um ponto importante: resiliência climática nas cadeias de alimentos não pode ser pensada apenas a partir do abastecimento ou da gestão de riscos das empresas.
Ela precisa chegar à ponta da cadeia, fortalecendo a capacidade dos produtores de se adaptar, com acesso a assistência técnica, financiamento, práticas mais resilientes e mercados que apoiem essa transição.
No Brasil, é nessa direção que a IDH trabalha: conectando produtores, empresas, governos e investidores para fortalecer sistemas produtivos mais resilientes e inclusivos. Isso passa por diferentes realidades, da diversificação produtiva e adaptação climática na Caatinga à pecuária sustentável no Mato Grosso e no Pará e ao avanço de práticas regenerativas na produção de algodão, buscando combinar resiliência no campo, geração de renda e transformação das cadeias.