Nossa missão é conscientizar a população em geral sobre a importância da esterilização de animais domésticos para impedir o crescimento populacional que gera abandono e maus tratos, Esse é Marcelinho, hoje com 28 anos que dedicou e continua dedicando sua vida ao animais. Foi considerado o protetor de animais mais jovem do Brasil. Cães, gatos, galinhas, tartarugas....não importa em que condições sã
o encontrados, se precisam de ajuda lá está ele. Não gosta de dizer que tem um Abrigo, prefere chame de Lar Temporário a chácara que tem em Mairiporã. Esse Lar Temporário conta com quase 150 animais e é mantido com muita dificuldade. A história começa quando ele ainda era uma criança e não tinha a permissão da mãe para ter animais em casa. De família muito pobre, a mãe precisava trabalhar e o menino passava as tardes com os cães dos vizinhos. Aos 9 anos teve seu primeiro cão, mas já se preocupava com aqueles que vagavam pelas ruas, sem dono, sem cuidados, sem carinho. Mas foi em Alagoas, para onde se mudou com a mãe, que teve seu primeiro contato com o universo da proteção animal. Ele conheceu uma mulher que cuidava de gatos em uma feira permanente. "Ela levava gatos doentes para casa e um dia fui lá e vi que ela tinha mais de 100 gatos", e segundo ele, foi naquele momento que percebeu o que era abandono e o que aquilo representava. De volta à São Paulo, numa casa alugada com quintal ganhou a Tifane e apareceu uma cadela de rua, a Magrela, que ele cuidava e até fez uma casinha pra ela num terreno. Todos os dias ia cuidar da Magrela. Quando um vizinho jogou sua cadela na rua com 5 filhinhos, Marcelo levou essa cadela e filhotes para o "terreno da Magrela". fez mais uma casinha e passou a pedir sobras de comida em restaurantes da região para alimentar os cães. Nesse período já com 13 anos, descobriu a castração e a partir daí uma nova fase se iniciava. Drª Veronica de Guarulhos castrou todos os animais que Marcelinho cuidava. Tudo ia bem até que apareceu o dono do terreno e colocou todos os animais na beira da avenida com casinhas e tudo. Marcelinho os recolheu, eram então 18, e levou para casa. Nada bom para o menino, a convivência com sua mãe não era nada boa. Ao comprar uma nova casa, não havia espaço para os cães e ele teve que decidir....
Vagou pelas ruas com os cães por 3 dias (durante as noites, dormia na laje de uma amiga)
Com 13 anos, sem dinheiro, sem apoio, levou seus cães para um abrigo. Dos 18 cães apenas 6 sobreviveram, os outros morreram de fome nesse abrigo. Com ajuda de amigos conseguiu comprar um barraco na favela. Esse barraco media 2,5 x 5, condições muito precárias, mas suficientes para o menino abrigar-se e aos 6 cães. Mas foi na favela, onde a realidade dos animais é mais cruel, que deixou o menino cada vez mais determinado a mudar essa realidade tão triste. Já contava com 20 animais no barraco e começou a procurar pessoas que pudessem ajuda-lo. Procurou ONGs para castrar animais e tentar assim controlar a população de animais dento da comunidade. Com 15 anos trabalhava na UIPA, ganhava uma castração por semana e carregava os animais dentro do ônibus, salvo quando não era expulso do coletivo e tinha que percorrer o caminho à pé. Quando descobriram que o menino era menor de idade, perdeu seu emprego na UIPA, com a rescisão, comprou um barraco melhorzinho. E o trabalho continuava, conseguia castrações, doava animais, etc
Até que o barraco começou a cair...mas como já era conhecido no meio da Proteção Animal, foi feito um verdadeiro movimento para ajudar esse menino tão esforçado na causa. E foi assim que ele conseguiu sua Chácara! O custo mensal gira em torno de 6 mil reais e a fonte de renda são as ajudas mensais. Nem sempre as contas fecham no final do mês, sempre há um resgate mais complicado, animais precisando de cirurgias e tratamentos as vezes de preço elevado. Mesmo muito jovem, Marcelinho sabe que o que pode mudar a realidade dos animais é a educação. Educar para a posse responsável, para os cuidados com os animais. Para disseminar esse conhecimento fecha parcerias com veterinários, ONGs e muito trabalho com crianças da Comunidade do Sapo na Zona Norte de São Paulo. E no final diz ser muito gratificante mudar a vida de um animal, e sua luta é para que mais e mais pessoas possam aprender que animal também sente dor, também quer amor.