22/09/2026
Candidaturas não brancas (negros, indígenas e amarelos) a deputado federal, estadual e distrital nas eleições de 2026 são subfinanciadas: representam 49,8% dos candidatos, mas receberam apenas 39,6% dos recursos financeiros públicos repassados pelos partidos políticos e, proporcionalmente, deixaram de receber R$ 394 milhões.
O dado consta da primeira edição do "Caixa de Campanha", boletim lançado pela Transparência Brasil nesta terça-feira (22.set.2026) para acompanhar a desigualdade no financiamento de candidaturas neste pleito.
Os homens não brancos apresentam o maior subfinanciamento: são 30,9% das candidaturas e receberam 22,3% dos recursos públicos distribuídos até agora, R$ 332 milhões a menos do que o esperado. As mulheres não brancas registram R$ 61,9 milhões a menos do que sua proporção de candidaturas, enquanto homens brancos e mulheres brancas receberam, respectivamente, R$ 216,9 milhões e R$ 177,1 milhões a mais do que o esperado. O subfinanciamento dos homens não brancos se repete em todo o universo de partidos analisados, à exceção do DC, Avante e Agora.
A Resolução nº 23.752/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que candidaturas de pessoas negras e pardas recebam no mínimo 30% para suas campanhas, mas a cota de distribuição de recursos não se restringe aos cargos proporcionais, e por isso o subfinanciamento verificado não implica, necessariamente, descumprimento das normas eleitorais pelos partidos. A análise considera as receitas registradas no TSE até 15 de setembro, que ainda são parciais.
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