18/05/2026
No dia 18 de Maio, relembramos a luta antimanicomial e a importância de defendermos um cuidado em saúde mental que não compactue com práticas de controle, exclusão e violência contra corpos e subjetividades classificadas como “anormais” ou “loucas”, frequentemente consideradas perigosas demais para conviver em sociedade.
Essa luta está intrinsecamente ligada à luta antirracista. O psicólogo Emiliano de Camargo David afirma, em seu livro Saúde mental e relações raciais: Desnorteamento, aquilombação e antimanicolonialidade, que os mecanismos de separação e controle que agem sobre os corpos negros também operam sobre aqueles considerados “loucos”.
Além disso, quando olhamos para o perfil das pessoas historicamente enclausuradas em instituições manicomiais, encontramos majoritariamente pessoas negras e pobres. Ignorar as interseccionalidades entre raça, classe e saúde mental é ignorar o papel da desigualdade social e do racismo na produção do sofrimento psíquico, bem como nas formas de controle e exclusão direcionadas a determinados corpos.
No cenário atual, mesmo com o fechamento progressivo dos manicômios, muitas de suas práticas ainda persistem em comunidades terapêuticas e outras instituições que, frequentemente, se apresentam sob o discurso do cuidado. Em diversos casos, esses espaços reproduzem lógicas de isolamento, disciplina, punição e retirada da autonomia dos sujeitos, mantendo formas de exclusão que a luta antimanicomial denuncia.
É preciso desmistificar a imagem social do que seria o “louco” e desconstruir a noção de que apenas saberes legitimados pela lógica ocidental e colonial são válidos para compreender o sofrimento psíquico e produzir cuidado.
Dessa forma, a luta antimanicomial também é uma luta antimanicolonial, na medida em que questiona práticas históricas de exclusão, silenciamento e controle direcionadas a corpos racializados, pobres e dissidentes. Trata-se de defender outras formas de existência, escuta e cuidado, reconhecendo a pluralidade dos modos de viver e compreender o mundo.
No post, temos: Estela do Patrocínio, Frantz Fanon, Nise da Silveira e Neusa Santos Souza.