Ermo do Lampião

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Ermo do Lampião Ermo do Lampião — um Projeto Social guiado pela Fé, pela Arte e pela Esperança!

23/10/2026
22/10/2026

O que é o Projeto Ermo do Lampião? O que é a Banda Aslam?

O Projeto Ermo do Lampião é uma iniciativa independente de Literatura, Espiritualidade e Extensão, que promove a formação humana, cultural, educacional e espiritual por meio da Literatura, da Arte, da Música, de Encontros Formativos e de Ações de Evangelização. Sua Espiritualidade está fundamentada no Carisma da Unidade do Movimento dos Focolares, fundado por Chiara Lubich na Igreja Católica, que valoriza o diálogo, a fraternidade e o acolhimento de todas as pessoas, independentemente de suas crenças e convicções.

O Carisma do Ermo do Lampião é o amor: Amar e Ser Amado. É nesse espírito que buscamos acolher cada pessoa, construir laços de fraternidade e fazer do amor a essência de tudo aquilo que realizamos.

A Banda Aslam é o Ministério de Música do Projeto Ermo do Lampião, que une Música, Literatura e Evangelização. Seu nome é inspirado em Aslam, o Grande Leão de As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, personagem que figura simbolicamente Jesus Cristo. A proposta da Banda é anunciar o Evangelho por meio da música e estabelecer pontes com a Literatura, especialmente com obras como As Crônicas de Nárnia, O Senhor dos Anéis e O Hobbit, que apresentam valores cristãos e reflexões sobre o amor, a esperança, o sacrifício e a redenção.

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🕯️🍃 Aniversariantes de Outubro de 2026 — No Ermo do Lampião 🦁🌸No Ermo do Lampião, Outubro é o Tempo da Esperança que Flo...
22/10/2026

🕯️🍃 Aniversariantes de Outubro de 2026 — No Ermo do Lampião 🦁🌸

No Ermo do Lampião, Outubro é o Tempo da Esperança que Floresce. Depois de tantos caminhos percorridos, de sementes lançadas e de experiências que amadureceram ao longo do ano, chega o momento de contemplar a beleza da vida que continuamente se renova. Outubro nos recorda que toda Travessia guarda a possibilidade de novos encontros e descobertas, pois a esperança é a luz que permanece acesa mesmo quando ainda não conseguimos enxergar aonde nossos passos nos conduzirão.

Vocês, nascidos neste mês, carregam a beleza daqueles que encontram na vida motivos para recomeçar e continuar acreditando. São Peregrinos da Esperança, chamados a reconhecer que a verdadeira grandeza da caminhada não está apenas nas conquistas alcançadas, mas também nos afetos cultivados, nas amizades construídas e na capacidade de transformar cada experiência em oportunidade de crescimento.

Que este novo ano de suas vidas seja marcado pela serenidade, pela alegria dos encontros sinceros e pela coragem de acolher tudo aquilo que ainda está por florescer. Que 2026 continue lhes oferecendo caminhos de paz, sonhos possíveis e a certeza de que nenhuma Travessia perde seu sentido quando é iluminada pelo amor.

Que o Ermo seja sempre um lugar de acolhimento, que o Lampião permaneça como sinal de esperança e que a Luz do Leão acompanhe seus passos, fortalecendo seus corações e recordando-lhes que a vida, em todas as suas estações, continua sendo um precioso convite para amar, aprender e florescer.

Feliz Aniversário! 🎂✨

Com carinho,

Luizinho

Presidente Fundador do Ermo do Lampião e da Banda Aslam

Professor Mestre em Estudos de Literatura

21/10/2026

São Carlos, 21 de Outubro de 2026.

BIBLIOTECA CATÓLICA

SANTO AGOSTINHO E A ORAÇÃO

Orar é desejar a Deus

Hoje faremos uma pequena pausa em nossa leitura sequencial da Carta 130 a Proba. Não porque tenhamos terminado o texto de Santo Agostinho — ainda continuaremos nosso percurso —, mas porque talvez seja importante recolher algumas das sementes que encontramos até aqui e contemplar, de maneira mais ampla, aquilo que a oração representa no pensamento agostiniano.

Santo Agostinho não nos deixou um método rígido de oração. Não estabeleceu uma sequência de passos que, cumpridos corretamente, garantiriam uma experiência de Deus. Em vez disso, deixou-nos orientações, imagens, perguntas, exortações e, sobretudo, o testemunho de uma vida que se tornou oração. Seus ensinamentos encontram-se espalhados pelos Comentários aos Salmos, pelos Sermões, pelas Cartas, pelos tratados e, de modo singular, pelas Confissões — obra que pode ser lida como uma longa oração dirigida a Deus.

Agostinho escreve diante de Deus. Recorda diante de Deus. Confessa suas quedas diante de Deus. Procura compreender a própria história diante de Deus. Sua reflexão não acontece como se Deus fosse apenas um assunto sobre o qual pudesse falar. Deus é também o Interlocutor a Quem suas palavras se dirigem.

Talvez seja essa uma primeira lição: a oração começa quando Deus deixa de ser apenas Alguém sobre Quem falamos e passa a ser Aquele com Quem falamos e diante de Quem vivemos. A oração é encontro, comunicação e intimidade. É o lugar em que podemos depositar o coração em Deus, levando até Ele aquilo que somos, aquilo que vivemos, aquilo que tememos e aquilo que ainda não conseguimos compreender.

Entretanto, para Santo Agostinho, a oração é ainda mais profunda do que as palavras que pronunciamos. Antes de estar nos lábios, ela acontece no coração. Antes de ser uma formulação, é um desejo. Antes de ser um pedido, é uma orientação de toda a existência para Deus. Por isso, Agostinho pode dizer:

“Teu desejo é tua oração.”

A oração como desejo

Todos desejamos alguma coisa. Desejamos saúde, segurança, estabilidade, reconhecimento, proteção para aqueles que amamos, solução para nossos problemas e respostas para as situações que nos inquietam. Esses desejos não são necessariamente maus. Podemos apresentá-los a Deus com sinceridade, porque nenhuma parte de nossa vida precisa permanecer escondida diante Dele.

O problema começa quando procuramos apenas aquilo que Deus pode oferecer e deixamos de desejar o próprio Deus. Agostinho nos provoca ao perguntar:

“Muitos clamam a Deus pela saúde dos seus, pela estabilidade de sua casa, pela felicidade material ou por sua saúde corporal, que é o patrimônio dos pobres. Mas quantos clamam o Senhor por Ele mesmo? Pouquíssimos. Todavia, é injusto desejar qualquer coisa do Senhor e não desejar Ele mesmo. Pode, acaso, a doação ser preferida ao doador?”

A pergunta atinge o centro de nossa vida espiritual: buscamos a Deus ou buscamos somente aquilo que esperamos receber Dele? Podemos desejar a cura sem desejar o Deus que permanece conosco também durante a enfermidade. Podemos pedir uma oportunidade sem perguntar de que maneira ela pode ser colocada a serviço do Amor. Podemos pedir que uma situação seja resolvida sem permitir que Deus nos transforme no interior dessa situação. Podemos desejar os dons e esquecer o Doador.

A oração não existe apenas para convencer Deus a realizar nossos desejos. Ela existe também para permitir que Deus purifique, amplie e reordene aquilo que desejamos. Em muitas ocasiões, começamos a oração dizendo a Deus aquilo que queremos. Se permanecermos verdadeiramente diante Dele, talvez terminemos perguntando o que Ele deseja de nós.

Isso não signif**a que precisemos deixar de pedir. Signif**a aprender a colocar todos os nossos pedidos dentro de uma oração ainda maior:

“Senhor, permanece comigo e ensina-me a desejar aquilo que me conduz a Ti.”

A presença de Deus não elimina magicamente todas as preocupações da vida. Contudo, modif**a o lugar de onde as enfrentamos. Os acontecimentos continuam exigindo escolhas. As perdas permanecem dolorosas. As incertezas não deixam de existir. Entretanto, quando o coração se reconhece acompanhado por Deus, já não precisa responder a tudo com suas próprias forças. A paz não depende apenas de a vida acontecer conforme planejamos. Ela nasce da confiança de que, inclusive quando não compreendemos o Caminho, não o atravessamos sozinhos.

Agostinho ensina que há duas coisas que merecem ser sempre objeto de nossa oração: nesta vida, uma vida santa; na outra, a vida eterna. Não se trata de desprezar as necessidades concretas, mas de colocá-las dentro de um horizonte maior. Podemos pedir saúde, mas também a Graça de viver com fidelidade. Podemos pedir que uma porta se abra, mas também a Sabedoria para reconhecer se devemos atravessá-la. Podemos pedir que uma dor seja retirada, mas também que ela não nos torne incapazes de amar. Podemos pedir respostas, mas também um coração que continue confiando quando as respostas ainda não chegaram.

A vida como peregrinação

Para compreendermos a oração em Santo Agostinho, precisamos recordar que ele contempla a existência como peregrinação. Não somos proprietários definitivos desta Terra. Somos caminhantes. Recebemos pessoas, bens, oportunidades, afetos e experiências, mas nada disso pode ser conservado para sempre da maneira como agora o conhecemos.

Carregamos dentro de nós uma saudade de algo que ainda não contemplamos plenamente. Desejamos um repouso que nenhuma conquista terrena consegue oferecer por completo. Procuramos uma comunhão que nenhuma relação humana, por mais preciosa que seja, consegue realizar sem limites. Essa inquietação não é apenas uma falha que precisa ser corrigida. Ela pode ser sinal de que fomos criados para uma Plenitude maior. O Peregrino continua caminhando porque reconhece que ainda não chegou à Pátria.

Assim também acontece com a oração. Orar é conservar dentro de nós o desejo da verdadeira Pátria. É desejar a comunhão plena com Deus. É recusar-se a confundir as pequenas hospedagens do Caminho com o destino definitivo de nossa existência. Por isso, Agostinho afirma:

“Existe outra oração interior sem interrupção, que é o desejo. Seja o que for que faças, se desejas aquele repouso, não interrompes a oração. Se não queres interromper a oração, não cesses de desejar.”

À primeira vista, a recomendação bíblica de rezar sem cessar pode parecer impossível. Como poderíamos permanecer o dia inteiro pronunciando orações? Precisamos trabalhar, estudar, cuidar da casa, preparar alimentos, conversar, descansar e cumprir tantas responsabilidades. Agostinho, porém, mostra que a oração contínua não consiste em uma repetição ininterrupta de palavras. Consiste na permanência do desejo.

Quem orienta a vida para Deus pode continuar rezando enquanto trabalha. Quem realiza uma tarefa com amor pode transformá-la em oração. Quem serve ao próximo pode louvar a Deus por meio das próprias mãos. Quem permanece fiel em meio à dificuldade pode fazer do sofrimento uma súplica. Quem cuida de alguém pode transformar a presença em intercessão. Quem luta pela justiça pode fazer da própria ação um clamor.

As palavras possuem grande importância, mas não encerram toda a oração. Elas despertam, educam e recordam aquilo que o coração não deve esquecer. Como escreve Agostinho na Carta 130:

“Oramos incessantemente por meio da fé, da esperança e da caridade. Porém, em certos intervalos de horas e tempos, oramos também vocalmente ao Senhor, para nos admoestarmos com os símbolos daquelas realidades.”

Rezamos com palavras para despertar o desejo. Voltamos às Escrituras para que elas devolvam ao coração a linguagem que a agitação cotidiana nos fez esquecer. Procuramos a Igreja, a Eucaristia, os Salmos e a oração comunitária porque não conseguimos sustentar sozinhos, em todos os momentos, a memória daquilo para o qual fomos criados. A oração vocal não serve para informar Deus sobre algo que Ele desconheça. Serve também para nos recordar de quem somos, de onde viemos e para onde caminhamos.

Mendigos diante de Deus

Uma das imagens utilizadas por Santo Agostinho é a do ser humano como mendigo de Deus. Diante Dele, ricos e pobres compartilham uma mesma indigência fundamental. Podemos possuir muitos bens e continuar incapazes de conceder a nós mesmos a vida eterna. Podemos acumular conhecimento e ainda não compreender inteiramente nosso coração. Podemos ser reconhecidos por muitas pessoas e continuar necessitados de um Amor que não dependa de nossos êxitos. Podemos realizar grandes trabalhos e permanecer incapazes de garantir o dia seguinte.

Ser mendigo de Deus não signif**a negar nossa dignidade. Signif**a reconhecer que nossa existência é recebida. A vida não começou por nossa vontade. O Amor de Deus não foi conquistado por nosso merecimento. A Graça não é pagamento por nossos serviços. Tudo começa como dom.

Por isso, a oração é também exercício de humildade. O coração soberbo aproxima-se de Deus como se precisasse apresentar suas credenciais. O coração humilde aproxima-se com as mãos abertas. Não porque não possua nenhum valor, mas porque sabe que até sua capacidade de amar foi primeiramente recebida.

A oração de Agostinho pode então ser resumida neste pedido:

“Ó Deus, que és sempre o mesmo, faze que eu me conheça e que Te conheça.”

Conhecer a si mesmo diante de Deus não signif**a permanecer aprisionado em culpas, fraquezas ou limitações. Signif**a olhar para si à Luz daquele que nos conhece inteiramente e, ainda assim, nos ama. A oração retira as máscaras. Diante de Deus, não precisamos fingir força quando estamos cansados. Não precisamos esconder a dúvida. Não precisamos maquiar a tristeza. Não precisamos apresentar uma versão idealizada de nós mesmos. Deus não ama uma personagem que fabricamos para impressioná-Lo. Ama a pessoa que realmente somos e chama essa pessoa a transformar-se.

Voltar ao coração

Agostinho nos convida ao recolhimento interior:

“Não saias de ti, mas volta para dentro de ti mesmo; a Verdade habita no homem interior.”

Entrar no coração não signif**a fechar-se no próprio mundo nem abandonar as necessidades das outras pessoas. Signif**a deixar de viver completamente disperso. Há momentos em que estamos em muitos lugares e não habitamos nenhum deles. O corpo está presente, mas o pensamento permanece aprisionado ao passado. Alguém fala conosco, mas já estamos preparando a resposta. Participamos da oração, mas interiormente percorremos preocupações, prazos, conversas e receios. A dispersão pode tornar-nos estrangeiros dentro de nós mesmos. A oração nos chama de volta.

Contudo, quando entramos no próprio coração, não encontramos somente a nós mesmos. Encontramos Aquele que, segundo Agostinho, é “mais íntimo do que o nosso próprio íntimo e mais elevado do que o ápice do nosso ser”. Deus não está apenas acima de nós. Está presente na profundidade em que nem sempre conseguimos chegar sozinhos. Ele conhece aquilo que ainda não sabemos dizer. Escuta a oração que ainda não se tornou palavra. Compreende a lágrima cujo signif**ado nós mesmos desconhecemos.

É nesse interior que o Espírito Santo vem em auxílio de nossa fraqueza. Às vezes, não sabemos o que pedir. Em outras ocasiões, não encontramos forças nem sequer para organizar uma frase. Ainda assim, a oração não terminou. O Espírito clama em nós. A caridade geme em nosso interior. Deus não escuta somente a voz que sai de nossa boca: escuta o grito do coração.

O silêncio de alguém diante de Deus pode ser uma oração imensa. Uma lágrima pode dizer aquilo que muitas palavras não alcançam. Uma presença diante do Santíssimo pode conter perguntas, dores, esperanças e entregas para as quais não existe uma formulação perfeita. Quando o coração se orienta para Deus, até o silêncio possui voz.

Orar é amar e deixar-se amar

A oração é também exercício de amor. Não apenas porque expressamos nosso amor por Deus, mas porque nos colocamos diante Dele para receber o Amor que não conseguimos produzir sozinhos. Orar é amar e deixar-se amar.

Muitas vezes, aceitamos com maior facilidade a ideia de que devemos amar a Deus do que a verdade de que precisamos permitir que Ele nos ame. Queremos apresentar obras. Queremos demonstrar fidelidade. Queremos chegar diante Dele com resultados. Contudo, antes de realizar qualquer coisa, somos filhos e filhas que precisam receber. A oração abre espaço para que o Amor de Deus alcance as regiões de nossa vida que aprendemos a proteger.

Aquilo que amamos nos transforma. Quando o coração se prende apenas ao que é passageiro, torna-se inquieto diante da possibilidade da perda. Quando se volta para Deus, não deixa de amar a Criação, as pessoas ou os bens recebidos; aprende, porém, a amá-los sem convertê-los em absolutos.

Agostinho compara o coração a um vaso. Se ele estiver completamente ocupado por amores desordenados, não haverá espaço para receber aquilo que Deus deseja derramar. Esvaziar-se não signif**a deixar de amar. Signif**a libertar o amor da posse, do egoísmo e da necessidade de controlar tudo. Deus não deseja destruir nossos afetos. Deseja ordená-los.

Quando amamos as pessoas em Deus, deixamos de exigir que sejam nossa salvação. Quando amamos os bens em Deus, podemos colocá-los em comum. Quando amamos nossos trabalhos em Deus, deixamos de medir nosso valor apenas pelos resultados. Quando amamos nossa vocação em Deus, compreendemos que servir não signif**a destruir a nós mesmos. A oração não nos afasta da vida. Ela nos devolve à vida com o coração mais livre.

Orar é escutar

A oração é diálogo amoroso com Deus. E nenhum diálogo verdadeiro acontece quando somente uma das partes fala. Agostinho afirma:

“Quando lês as Escrituras, Deus te fala; quando oras, tu falas a Deus.”

A Palavra de Deus oferece linguagem ao nosso desejo. Ela não apenas responde às nossas perguntas; algumas vezes, modif**a as próprias perguntas. Entramos na oração querendo saber quando Deus realizará aquilo que pedimos. A Palavra pode perguntar o que estamos fazendo com aquilo que já recebemos. Entramos querendo que Deus transforme determinada pessoa. A Palavra pode revelar aquilo que precisa ser transformado em nós. Entramos pedindo que uma dificuldade desapareça. A Palavra pode conceder a coragem necessária para atravessá-la.

Escutar a Deus não signif**a esperar necessariamente uma voz extraordinária. Ele pode falar nas Escrituras, na Liturgia, na consciência, nos acontecimentos, na sabedoria de outra pessoa, na necessidade de quem encontramos e até no silêncio que lentamente reorganiza nosso interior.

O encontro com Deus não encerra a busca. Quanto mais O encontramos, mais desejamos procurá-Lo. Deus não é um problema resolvido. É um Mistério inesgotável. Encontrá-Lo não signif**a possuí-Lo, mas permitir que sua Presença desperte uma sede ainda mais profunda.

Orar é acolher a vontade de Deus

Talvez uma das dimensões mais difíceis da oração seja permitir que ela nos conduza ao encontro da vontade de Deus. É relativamente fácil rezar quando acreditamos que Deus realizará exatamente aquilo que desejamos. A prova da confiança aparece quando precisamos dizer:

“Faça-se a tua vontade.”

Essa frase não representa passividade, resignação vazia ou abandono de nossas responsabilidades. Não signif**a aceitar injustiças como se fossem vontade divina. Signif**a não resistir ao Bem que Deus deseja realizar em nós, inclusive quando esse Bem percorre caminhos diferentes dos que imaginávamos.

Santo Agostinho interpreta essa oração assim:

“Faça-se em mim de modo que eu não resista à tua vontade.”

Talvez o maior obstáculo não esteja na ausência da vontade de Deus, mas em nossa resistência a ela. Queremos que Deus confirme nossos planos. Queremos que abençoe decisões já tomadas. Queremos que responda conforme a solução que julgamos correta. A oração verdadeira, porém, não tenta manipular Deus. Ela entrega.

Isso não acontece sem medo. Confiar é arriscado porque exige abrir mão da ilusão de controle. Entretanto, a entrega cristã não é dirigida ao vazio. É realizada diante de um Pai. Por isso, Agostinho pode rezar:

“Dai-me o que ordenais e ordenai-me o que quiserdes.”

Se Deus chama, oferece também a Graça necessária para responder. Se pede que amemos, concede-nos participação em seu Amor. Se chama ao perdão, pode trabalhar as feridas que ainda não sabemos entregar. Se pede fidelidade, sustenta-nos quando nossas forças parecem pequenas. Não cumprimos a vontade de Deus sozinhos. É Ele quem opera em nós, sem anular nossa liberdade, capacitando-nos a oferecer uma resposta.

A oração na vida da Igreja

A oração cristã nunca é completamente solitária. Mesmo quando alguém reza sozinho em seu quarto, continua pertencendo ao Corpo de Cristo. Rezamos como membros de uma Comunidade que atravessa os tempos, os povos, as línguas e as fronteiras. Carregamos a oração daqueles que vieram antes de nós e oferecemos nossa oração também por aqueles que virão depois.

Cristo ora por nós como Sacerdote, ora em nós como Cabeça e é Aquele a Quem dirigimos nossa oração como Deus. Por isso, Agostinho nos convida a reconhecer a voz de Cristo em nossa voz e nossa voz na voz Dele.

Essa consciência amplia a oração. Não rezamos apenas por nossas necessidades particulares. Rezamos por aqueles que sofrem. Pelos enfermos. Pelos pobres. Pelos migrantes e refugiados. Pelas crianças. Pelos idosos. Pelos que estão sozinhos. Pelos que perderam a esperança. Por aqueles que nos pediram oração e também por aqueles cuja dor ninguém conhece. Rezamos ainda por quem nos feriu, por quem pensa de maneira diferente e por aqueles que não saberíamos amar sem a Graça.

A oração não nos encerra em nossa intimidade. Ela alarga o coração até que nele possa caber o mundo. E aquilo que levamos a Deus precisa, de alguma maneira, retornar conosco como responsabilidade. Não podemos pedir pelos que têm fome e fechar as mãos diante da possibilidade de partilhar. Não podemos pedir pela paz e alimentar continuamente a discórdia. Não podemos pedir pelos abandonados e permanecer indiferentes à solidão de quem está ao nosso lado. Não podemos pedir que Deus console alguém e recusar-nos a oferecer nossa presença.

A oração não substitui a ação. Ela purif**a, orienta e sustenta a ação. Agostinho nos convida a cantar a Deus com a boca e a salmodiar com as obras. Uma vida torna-se oração quando aquilo que os lábios professam começa a assumir forma nas escolhas.

O coração da formiga

Entre as imagens utilizadas por Santo Agostinho, existe uma particularmente delicada: a formiga que recolhe, durante o verão, aquilo que lhe servirá de alimento no inverno. Ele nos exorta:

“Desperta, f**a acordado, tem o coração de uma formiga. Estamos no verão; recolhe o que é proveitoso para o inverno.”

Existem períodos em que tudo parece caminhar bem. São os verões da existência. Nesses momentos, podemos acreditar que não precisamos cultivar profundamente a vida espiritual. A oração torna-se breve, a Palavra é adiada e a comunhão parece dispensável. Agostinho, porém, recorda que também durante o verão precisamos recolher os grãos.

Precisamos guardar a Palavra no coração. Precisamos construir vínculos verdadeiros. Precisamos aprender a reconhecer a presença de Deus quando o céu está claro, para não imaginarmos que Ele desapareceu quando o inverno chegar.

A oração cultivada nos dias tranquilos torna-se força nos dias de tribulação. Uma passagem bíblica guardada no coração pode retornar quando não encontrarmos outras palavras. Uma experiência da fidelidade de Deus pode sustentar-nos quando tudo parecer incerto. Uma Comunidade cultivada com presença e reciprocidade pode tornar-se abrigo quando as forças individuais diminuírem.

Ter coração de formiga é não desperdiçar o tempo da Graça. É recolher, agradecer, guardar e colocar em comum.

Corações ao alto

Na celebração da Eucaristia, somos convidados:

“Corações ao alto.”

Essa expressão resume profundamente a oração. Elevar o coração não signif**a desprezar a Terra. Signif**a contemplá-la a partir de Deus. O coração elevado continua atento às necessidades concretas, mas não permanece aprisionado ao imediato. Consegue enxergar além da circunstância. Reconhece que a dor presente não possui necessariamente a última palavra. Recorda que nenhuma noite é capaz de apagar definitivamente a promessa da Luz.

Para Agostinho, a oração é a ascensão das realidades terrestres às celestes, a procura das coisas mais elevadas e o desejo das realidades invisíveis. Elevar o coração é retirar do medo o direito de governar toda a nossa existência. É recordar que somos mais do que aquilo que perdemos. É acreditar que nossa história não se limita ao instante que agora conseguimos enxergar. É confiar que a verdadeira Pátria permanece à nossa espera.

Fazer da vida uma oração

Ao final, talvez a pergunta mais importante não seja somente: “Quantas vezes rezamos?”, mas: “Em que nossa oração está transformando nossa vida?”

Podemos pronunciar muitas palavras e continuar fechados ao Amor. Podemos conhecer belas fórmulas e permanecer incapazes de escutar. Podemos pedir continuamente que Deus fale enquanto evitamos tudo aquilo que Ele já nos mostrou.

A oração verdadeira não nos torna perfeitos instantaneamente. Torna-nos disponíveis. Pouco a pouco, ensina-nos a desejar melhor. A amar com maior liberdade. A reconhecer os próprios limites. A pedir perdão. A perdoar. A colocar em comum. A suportar o tempo da espera. A permanecer quando não existem respostas fáceis. A agir quando nossa presença se torna necessária.

Talvez seja isso que signif**a viver de tal modo que a própria vida se transforme em oração. A boca louva. As mãos servem. Os olhos percebem. Os ouvidos escutam. Os pés caminham na direção de quem precisa. O coração deseja Deus. E até nossas fragilidades, quando entregues, tornam-se lugar de encontro com a Misericórdia.

Na Carta a Proba, Santo Agostinho continuará ensinando o que convém pedir e de que maneira devemos rezar. Mas, antes de prosseguirmos, talvez precisemos guardar esta verdade: a oração não começa quando conseguimos encontrar as palavras certas. Começa quando o coração se volta para Deus.

Podemos chegar diante Dele cansados, inquietos, alegres, agradecidos, feridos, esperançosos ou sem saber exatamente o que sentimos. Podemos falar. Podemos chorar. Podemos permanecer em silêncio. O essencial é não deixar de desejar. Porque, se nosso desejo estiver voltado para Deus, algo em nós continuará rezando mesmo quando os lábios silenciarem.

Que nossa oração não procure somente os dons, mas o Doador. Que não deseje apenas a estrada fácil, mas a Presença que nos acompanha em qualquer estrada. Que não peça somente o fim das dificuldades, mas a Graça de atravessá-las sem perder o Amor. Que saibamos recolher, nos verões da vida, a Palavra que nos sustentará durante os invernos. Que nossa oração nos torne mais atentos às dores do mundo e mais disponíveis para servir. Que o Espírito Santo ore em nós quando não soubermos o que dizer.

E que, em cada tarefa, encontro, escolha, serviço, silêncio e recomeço, nossa vida possa responder:

Senhor, ensina-nos a desejar-Te. Ensina-nos a procurar não apenas aquilo que podes conceder, mas a Tua própria Presença. Quando estivermos dispersos, reconduze-nos ao coração. Quando estivermos cheios de nós mesmos, abre espaço em nós para o Teu Amor. Quando nossa vontade resistir à Tua, concede-nos confiança para dizer:

“Faça-se em mim de modo que eu não resista à Tua vontade.”

Faz de nossa boca um louvor, de nossas mãos um serviço, de nosso silêncio uma entrega e de toda a nossa vida uma oração.

Porque somos peregrinos. Somos mendigos de Tua Graça. E nosso coração não encontrará verdadeiro repouso enquanto não repousar em Ti.

Referência principal:

AGOSTINHO, Santo. Carta 130: a Proba. In: AGOSTINHO, Santo. Dos bens do matrimônio; A santa virgindade; Dos bens da viuvez: cartas a Proba e a Juliana. Tradução de Nair de Assis Oliveira. São Paulo: Paulus, 2014. p. 109–130. (Patrística, 16).

Também foram retomadas, nesta reflexão, passagens atribuídas a Santo Agostinho presentes em seus Comentários aos Salmos, Sermões, Confissões, Solilóquios, A verdadeira religião, A Trindade e Comentários à Primeira Epístola de São João.

Texto e reflexão:

Luizinho

21 de outubro de 2026

Nesse sábado 24/10 teremos o nosso encontrão Ser Feliz, na Missão Lumen São Carlos (Rua Dona Ana Prado,  712) venham se ...
21/10/2026

Nesse sábado 24/10 teremos o nosso encontrão Ser Feliz, na Missão Lumen São Carlos (Rua Dona Ana Prado, 712) venham se encontrar com a misericórdia do Emanuel!!!
Oportunidade de testemunhar o milagre de Deus na vida dos acolhidos da casa Senhor Bom Jesus.
Teremos a alegria de contar com o ministério de música e de evangelização Aslam e projeto Ermo do Lampião.
Todos estão mais que convidados, quem puder traga um prato de doce ou salgado para a comemoração dos aniversariantes do mês de outubro.
Deus abençoe!
Vem ser Feliz Fazendo o outro feliz!

Encontros Literários e Clube de Leitura 📚 30/10 — Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban 📚 08/11 — Harry Potter e o Cál...
20/10/2026

Encontros Literários e Clube de Leitura

📚 30/10 — Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

📚 08/11 — Harry Potter e o Cálice de Fogo

📚 13/12 — Harry Potter e a Ordem da Fênix

Queridos e queridas, espero que estejam bem! Quero convidar vocês para o Encontrão Ser Feliz, no dia 24 de outubro, das ...
19/10/2026

Queridos e queridas, espero que estejam bem!

Quero convidar vocês para o Encontrão Ser Feliz, no dia 24 de outubro, das 20h às 21h30, na Casa Bom Jesus - do Instituto Lumen de Evangelização em São Carlos/SP.

Estaremos juntos, pelo Ermo do Lampião e pela Banda Aslam, para uma noite de oração, música, Palavra e fraternidade.

Endereço: Rua Dona Ana Prado, 712 — Vila Prado

Horário: 20h - 21h30

Quem puder, leve também um prato de doce ou salgado para a partilha após o Encontro.

Espero vocês!

18/10/2026

Hoje celebramos São Lucas Evangelista.

Tenho pensado muito que existem santos que nós escolhemos como Santos de Devoção, por identif**ação, pela história ou porque nos aproximamos deles ao longo da vida.

Mas também acredito que existem aqueles que, de alguma maneira, nos escolhem primeiro. Tornam-se nossos Baluartes, atravessam nossa história e permanecem conosco antes mesmo de compreendermos plenamente por quê.

Eu sinto isso de maneira muito particular.

Já carrego no próprio nome dois deles: Luís e Lucas. E hoje, celebrando São Lucas Evangelista, lembro de quantas vezes ele já esteve presente na minha história.

Na força que Deus me dá para estudar continuamente e levar o conhecimento para as pessoas - como São Lucas o fez, se formou em Medicina, atendeu corpos e almas, ensinou...

Na Comunidade em que cresci, tínhamos a Comunidade São Lucas, uma das comunidades de base acompanhadas pelo Padre Zé. Ali aconteceram tantos terços, Vias-Sacras, Novenas de Natal, Campanhas da Fraternidade, encontros e momentos de oração.

Papai e Mamãe estiveram à frente daquela caminhada por mais de trinta anos. Então São Lucas não é apenas um nome para mim: ele atravessa minha família, minha fé e minhas memórias desde muito cedo.

Ele também se encontrou com a Virgem Maria, escreveu um dos Evangelhos...

E assim também acontece com Santa Madre Cabrini, outra grande Baluarte da minha vida, ligada à Comunidade em que nasci, cresci e vivi grande parte da minha caminhada de fé.

Às vezes escolhemos os Santos.

E às vezes, olhando para trás, descobrimos que eles já estavam caminhando conosco havia muito tempo.

Neste dia de São Lucas Evangelista, peçamos sua intercessão por nossas famílias, por nossas comunidades, pelos médicos e profissionais da saúde — dos quais ele é tradicionalmente padroeiro —, pelos evangelizadores e por todos aqueles que anunciam Cristo com a própria vida.

São Lucas Evangelista, rogai por nós!

Toda a unidade!

Endereço

Avenida República Do Líbano, 1391/Jardim Cruzeiro Do Sul
São Carlos, SP
13.572-081

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