21/06/2020
Hora de sair?
Texto: Irving Merath; revisão: Bruno Alves
Indicadores demonstram que o pior momento da economia brasileira foi o mês de abril. Entretanto, o país enfrenta um dilema. Está na hora de reabrir o comércio, ou não?
Enquanto alguns países ensaiam a retomada da atividade em alguns setores após seguirem medidas rigorosas como a Espanha, que fechou as fronteiras para a entrada de viajantes, hoje já recebe pessoas de alguns países sem submeter à quarentena de 14 dias; o Brasil, com mais de 50 mil mortos e mais de 1 milhão de casos confirmados, já está pensando na flexibilização sem saber o pico da curva de contágio, apesar de já dar sinais de estabilização, de acordo com Michael Ryan, diretor executivo da OMS.
Os economistas-chefes do Santander, Itaú Unibanco e Bradesco, em encontro online promovido pelo Insper, debateram sobre essa questão e sobre a dívida fiscal dos Estados. Ana Paula Vescovi (Santander) destacou a divergência da curva de contaminação de região pra região, gerando diferentes cenários de recuperação e isso poderá refletir num prazo mais longo para a recuperação geral, dependendo das condições sanitárias em cada localidade. Mario Mesquita (Itaú Unibanco) citou o índice de atividade criado pelo banco para provar que o país segue em recuperação, o índice estava em 55 e subiu para 80. Mas, isso não significa superação da crise. Fernando Honerato (Bradesco) defendeu que a crise pode ser mais amena do que se estava esperando, a queda no PIB foi menor do que foi projetada. Parte disso deve-se à desvalorização cambial, que tornou o setor agropecuário mais competitivo.
No encontro, ainda foi enfatizada a atenção para as dívidas públicas. O Brasil já passava por grande déficit fiscal, em torno de 76% do PIB, e passará para 100% por conta dos gastos para enfrentar os reflexos da pandemia. No entanto, tais gastos não podem se tornar permanentes. Não adianta realizar privatizações se não houver responsabilidade com os gastos públicos.
Ainda sobre recuperação, o vice-presidente Hamilton Mourão disse em webinar promovido pela iniciativa FIS que o setor de infraestrutura (ferrovias, rodovias, portos e aeroportos e também da promoção de obras de saneamento básico) é grande empregador e é estratégico para volta ao crescimento. Para que isso seja possível, os atores políticos devem parar de brigar e criar um ambiente estável e emocionalmente saudável no país. Só assim, será possível atrair o setor privado interessado.