04/06/2026
A Mecânica da Incorporação nos Terreiros: Uma Perspectiva Psico-Fluídica Segundo Ramatís
Mestre Ramatís elucida o fenômeno da incorporação, despindo-o de algo sobrenatural ou miraculoso. O processo é apresentado como uma complexa engenharia vibratória, fundamentada em leis físicas, magnéticas e biológicas que regem o intercâmbio entre o plano físico e as dimensões hiperfísicas.
Em suas obras mais recentes, como Elucidações de Umbanda, Umbanda Pé no Chão e Umbanda Oriental, enfatiza que a esmagadora maioria dos transes na Umbanda é de natureza consciente.
O Acoplamento Fluídico-Magnético e a Interpenetração Vibratória
O fenômeno popularmente denominado "incorporação" consiste, em termos científicos, em um acoplamento magnético interperispiritual. Não há uma introdução física do espírito comunicante no corpo do médium, mas sim uma interpenetração de campos energéticos:
- Sintonia Vibratória: O guia espiritual desacelera sua frequência vibratória, enquanto o sensitivo eleva a sua, estabelecendo um gradiente de afinidade magnética.
- Interpenetração do Duplo Etéreo: As correntes mentais da entidade projetam-se sobre o duplo etéreo e o corpo astral do médium. Esse entrelaçamento áurico atua diretamente sobre o sistema nervoso central, alcançando progressivamente a psicomotricidade do aparelho mediúnico.
- O Controle Motor: A entidade passa a comandar os centros motores (fonação, deambulação e gesticulação) por indução magnética direta sobre a glândula pineal do sensitivo - chakras Ajna e Sahasrara. Ocorre que a Epífise (Glândula Pineal) é um transdutor
neuro-psíquico. A mecânica do transe exige uma ponte que converta o impulso puramente ideoplástico da entidade em reações neuroquímicas e motoras no corpo físico. Essa função transdutora cabe à glândula pineal (epífise) e ao sistema nervoso central.
A Natureza da Mediunidade Consciente
O psiquismo do médium atua como uma caixa de ressonância. O transe legítimo não anula a individualidade nem apaga a mente do sensitivo; exige, em contrapartida, um estado de passividade dinâmica e disciplina mental.
- O médium funciona como um "tradutor" intérprete: ele capta o bloco de ideias (ideação) da entidade e o verte em palavras, dialetos e trejeitos baseados em seu próprio cabedal cultural e linguístico. Daí a necessidade imperiosa do estudo para enriquecer o léxico e a compreensão do instrumento receptor.
Dinâmica do Ectoplasma e a Função Teúrgica da Curimba
A fusão fluídica entre o plano sutil e o físico exige uma matéria-prima condensadora: o ectoplasma (ou fluido vital). Trata-se de uma substância semimaterial, exsudada abundantemente pelos médiuns e pelos elementos da natureza presentes no terreiro.
A Acústica Sagrada (A Curimba)
O som dos atabaques e os pontos cantados não possuem finalidade meramente festiva ou folclórica; cumprem uma função físico-química e vibratória no ambiente:
- Ancoragem e Limpeza: As ondas sonoras mecânicas produzidas pela curimba funcionam como um agente de dispersão de miasmas e formas-pensamento de baixa vibração instaladas no ambiente astral do terreiro.
- Alinhamento dos Chacras: As frequências graves e rítmicas atuam como um catalisador que harmoniza e descarrega os chacras inferiores do mediunato. Simultaneamente, por ressonância, estimulam e ativam os chakras superiores, facilitando a elevação mental necessária para o acoplamento com entidades de alta evolução.
Falangeiros versus Orixás
Um dos pontos mais profundos das elucidações de mestre Ramatís na Umbanda é a diferenciação entre a manifestação de espíritos humanizados em evolução e as emanações da Consciência Suprema como forças cósmicas.
Os Orixás são potências vibratórias, portanto, não "incorporam" no sentido estrito. O médium, ao sintonizar com a vibração de um Orixá, entra em transe anímico pelo reflexo da energia arquetípica dessa divindade, estimulando as potências divinas latentes em seu próprio espírito. Quem atua mediunicamente na Terra, sob o nome e a bandeira desses Orixás, são os seus Falangeiros — espíritos altamente evoluídos que se apresentam sob a roupagem fluídica correspondente àquela linha de atuação.
Conclusão para Estudo
A mediunidade de Umbanda, sob a ótica de Ramatís, afasta-se dos tabus ingênuos e consolida-se como uma ciência metafísica aplicada. O êxito do intercâmbio espiritual legítimo depende de um tripé inseparável:
- Estudo Teórico: Para compreender as leis físicas e espirituais que regem o fluido e o magnetismo.
- Sintonia Vibratória: Manutenção de pensamentos e hábitos elevados para atrair mentes de idêntico teor.
- Reforma Íntima: O aprimoramento moral como único meio eficaz de purificar o "filtro" mediúnico, diminuindo o animismo vicioso e as interferências inferiores no labor mediúnico sagrado do terreiro.
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Saravá🙌