18/06/2026
A COMUNICAÇÃO NA RECUPERAÇÃO
Quando chegamos ao Amor-Exigente, estávamos no fundo do poço.
Estava esgotada, tentando salvá-lo e ele cada vez mais perdido em sua adicção.
Gerei a crise e meu esposo foi para a internação em uma CT e eu me internei no AE.
Tornei-me voluntária e iniciei a minha recuperação também.
Até chegarmos ao tratamento, não havia diálogo.
Nossa comunicação era cheia de acusações e mágoas, mas eu
compreendi que precisava mudar e tratar meus defeitos de caráter e ele também.
Colocamos nossa espiritualidade como base, criamos nosso pacto de convivência familiar e foi necessário ceder e ouvir mais meu companheiro.
Colocar em prática as regras da família terapêutica exigiu dedicação de todos nós, renúncias, muitos ajustes em nossa convivência, mudança de hábitos, distanciamento de pessoas e lugares; além da frequência aos grupos presencial e on-line.
Também aderimos à partilha em casa, pelo menos uma vez na semana.
Quando mudamos, tudo muda!
Ter uma comunicação assertiva, acolhedora, ouvir o que o outro tem a dizer, não usar o passado como coerção para a recuperação, cumprir as regras estabelecidas que são para a família toda, não responder na hora da raiva, não revidar comportamentos inadequados, saber a hora certa de conversar, ter firmeza e ser perseverante contribuem imensamente para a recuperação de ambos.
Não podemos banalizar a recuperação; com amor e respeito, podemos ficar cada vez melhores.
Por Priscila Trindade, Voluntária do AE, Santana do Livramento/RS.