28/11/2022
A Adufms manifesta seu profundo pesar e solidariedade às famílias das vítimas da chacina realizada em duas escolas de Aracruz, no Espírito Santo. O caso é uma demonstração extrema do quanto o *discurso de ódio e a cultura armamentista* são destrutivos à sociedade e causam perdas humanas irreparáveis.
O atentado matou três professoras e uma aluna, além de deixar 13 feridos/as. Como demonstrado em investigações policiais e reportagens, o assassino tinha *fácil acesso ao armamento devido a seu pai*, um tenente da Polícia Militar de extrema-direita. O terrorista usava um símbolo nazista no momento do crime. Nas redes sociais, havia postagens de pai e filho fotografados em manifestações bolsonaristas.
Chama atenção o fato de a primeira vítima atacada pelo assassino ser a professora *Flávia Amoss Merçon Leonardo*, de 38 anos, abertamente anti-bolsonarista, doutora em Antropologia pela UFMG e militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). O discurso negacionista da extrema-direita, que combate a ciência, e que promove o ódio à educação e às instituições públicas, também está presente no crime. A *demonização da pesquisa científica é um dos motores do discurso extremista*, o qual se baseia em teorias de conspiração contra pesquisadores/as e professores/as.
O crime é mais um que se soma às *dezenas de ataques cometidos pela extrema-direita*, que têm aumentado nos últimos anos, com a conivência de setores da Justiça, da política e da imprensa, que praticaram a normalização dos discursos de ódio contra minorias, do culto às armas, da pregação de eliminação dos adversários e das homenagens a torturadores. A impunidade e o empoderamento do neofascismo criaram o *terreno fértil para a atuação de extremistas*.
Em Mato Grosso do Sul, também houve episódios de violência de cunho político. Durante o período eleitoral, *Mário Fonseca*, dirigente do PCdoB, relatou ter sido ameaçado por um motorista de aplicativo após ser interrogado sobre sua posição política. Durante cobertura sobre as eleições em Coronel Sapucaia, o jornalista *Caco Barcellos* foi ameaçado por bolsonaristas que queriam impedi-lo de denunciar um esquema de compra de votos para Jair Bolsonaro.
Mais recentemente, nas coberturas sobre os atos antidemocráticos organizados por bolsonaristas, jornalistas foram agredidos/as verbalmente e sofreram tentativas de intimidação e impedimento de seu trabalho. No último domingo (27 de novembro), o deputado estadual *Pedro Kemp*, do PT, foi agredido verbal e fisicamente por um homem enquanto saía da missa no Santuário Nossa Senhora da Abadia, em Campo Grande.
*LEIA NOTA NA ÍNTEGRA:*
Adufms manifesta seu repúdio a crimes de cunho extremista de direita e sua solidariedade às vítimas