06/10/2022
MECÂNICA POPULISTA NO ECOSSISTEMA DIGITAL: um estudo sobre a comunicação de André Ventura no Twitter
No contexto dos estudos de midiatização, o tema do populismo na sua relação com a nova ambiência comunicacional adquiriu grande proeminência na última década. O surgimento de novos atores políticos populistas que utilizam a comunicação direta para apelar ao povo sem intermediários, bem como a consolidação das redes sociais digitais, envolvem interfaces entre processos midiáticos e políticos que pretendemos observar, tendo como objeto o cenário das Eleições Legislativas Portuguesas de 2022. Com efeito, abordamos, neste artigo, como é construída a comunicação populista de André Ventura, líder do partido de direita radical português, Chega, durante o período da campanha eleitoral. No sentido de abordar a construção discursiva da mecânica populista no ecossistema digital, examinamos o corpus formado pelas publicações de André Ventura na rede social Twitter. Procuramos descrever as estratégias argumentativas presentes na construção da representação de "povo", considerando a polarização "Nós vs Eles", e , ao mesmo tempo, problematizamos as significações de mundo mobilizadas pela comunicação populista na oposição a out-groups identificados como “inimigos” do povo puro ou autêntico. Os resultados da análise de conteúdo dos 143 tuítes que conformam a sua narrativa durante o período eleitoral, sugerem similitudes com a estratégia discursiva do populismo de far-right, nomeadamente uma narrativa de conflito entre “nós” e “eles”, a ênfase nas disfunções do sistema democrático, a exaltação de um comportamento honesto face à corrupção política, o discurso nativista e a tendência em comunicar de modo negativo.
Hélder Prior é Doutor em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Artes e Letras da Universidade da Beira Interior (2013), com menção Doctor Europaeus devido aos estudos doutorais realizados na Universidade Autónoma de Barcelona (2008-2012). Desenvolveu estudos de Pós-Doutoramento na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, com bolsa PNPD/CAPES, em 2014 e 2015. Entre 2016 e 2018, desenvolveu atividades de Pós-Doutoramento no Labcom/UBI, com bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Durante este período, foi pesquisador visitante no Observatorio Iberoamericano de la Comunicación da Universidade Autónoma de Barcelona (2018) e na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (2017). É Professor Visitante Estrangeiro no PPGCOM/UFMS e Professor Auxiliar no Departamento de Comunicação da Universidade Autónoma de Lisboa. É investigador integrado do Centro de investigação Labcom, da Universidade da Beira Interior e investigador colaborador do grupo de pesquisa NUMARK, da UERJ. Integra a Junta Directiva da Associação Latino-Americana de Investigadores em Campanhas Eleitorais (ALICE).
Bruno Araújo é Professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Poder e do curso de Jornalismo, da Universidade Federal de Mato Grosso. Doutor em Comunicação pela Universidade de Brasília, com uma tese sobre a mediatização da corrupção política no discurso jornalístico sobre o Escândalo do Mensalão. Realizou estágio doutoral no Centro de Investigação Media e Jornalismo, da Universidade Nova de Lisboa. Mestre em Comunicação e Jornalismo e Graduado em Jornalismo, ambos pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (Portugal). É pesquisador do Observatório do Populismo do Século XXI. No exterior, é pesquisador colaborador do Grupo Comunicação, Jornalismo e Espaço Público, do Centro de Estudos Interdisciplinares (CEIS20) da Universidade de Coimbra, e do Instituto de Comunicação da Universidade Nova de Lisboa (ICNOVA). É vice-coordenador do GT de Jornalismo Político da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (COMPOLÍTICA).