A União Social dos Imigrantes Haitianos (U.S.I.H) é uma organização que tem por objetivo oferecer serviços sociais em âmbito nacional (Brasil) e internacional (Haiti), criado pelos Imigrantes Haitianos em São Paulo, no dia 11 de setembro de 2014, coordenada pelos próprios imigrantes haitianos. Nossa História
No inicio do ano de 2010, o Haiti foi devastado por um grande e forte terremoto que destru
iu uma boa parte do país, o número de mortos chegou a mais de 250 mil, e um saldo de 1,5 milhões de desabrigos. Após o terremoto milhares de haitianos começam a cruzar as fronteiras para recomeçar suas vidas em outros países, inclusive o Brasil. Até o final de 2014 já se tinha um estimativa de que mais de 47 mil imigrantes já havia chegado ao território brasileiro desde 2010. Na bagagem suas memórias de um dia que mudou a história da nação caribenha e suas próprias vidas. Os migrantes aqui chegados encontram inúmeras dificuldades, dentre elas conseguir o visto e outros documentos de trabalho, RNE/CPF e acesso a serviços de saúde, por exemplo. A dificuldade de acessar a documentação faz com que muitos entrem no Brasil sem esses documentos e os passam a ser considerados “ilegais”. Para chegar até o Brasil passam por inúmeras dificuldades e por outros países como o Panamá, Equador e Perú, chegando ao Acre, Mato Grosso do Sul, Pará, Amazonas e Mato Grosso. São meses viajando e enfrentando os chamados “coiotes”, os quais prometem atravessar os imigrantes de forma segura, só que os relatos vão justamente à direção contrária, muitos relataram que no caminho foram agredidos, roubados e humilhados por esses atravessadores. Os haitianos que chegam pelas fronteiras sem documentação, sem dinheiro, sem nenhuma orientação acabam ainda sendo vítimas de uma dura realidade que encontram no país, precariedade no atendimento aos imigrantes, racismo, xenofobia, discriminação e todo tipo de preconceito, além da precariedade no trabalho e instalações insalubres em muitos casos. A maioria dos imigrantes não permanece nestes estados, seguem viagem até o centro-oeste, sudeste e sul do país principal rota destes haitianos. Mesmo ao chegar a estas regiões o acolhimento não foi muito diferente no local de chegada inicial, muitos foram quase despejados dos ônibus fretados do norte, tiveram que dormir nas calçadas, em frente as igrejas ou em centros de acolhida de organizações sociais inicialmente, só depois os governos locais iniciam uma gestão para tentar resolver e dar condições aos imigrantes. E muitos até hoje não tem emprego registrado, são precarizados e explorados, com jornadas de trabalho acima do que as leis brasileiras permitem. Não conseguem alugar uma casa para morar, porque não tem trabalho e nem documentos. Muitos vivem na informalidade. Importante ressaltar a demora na emissão do Registro Nacional de Estrangeiro (RNE). Em 2015, no final do ano saiu uma portaria do Governo Brasileiro para agilizar a emissão da documentação, a fila de espera de vistos e do RNE são enormes e demoradas, são meses. Para além das dificuldades com a documentação, trabalho, moradia, estudo (reconhecimento dos diplomas), há sérios problemas com o atendimento de saúde, pois muitos haitianos, devido às condições precárias da viagem ou mesmo quando tem problemas de saúde igual a qualquer outro brasileiro, encontram dificuldades no atendimento devido ao idioma, especialmente as mulheres. Importante dizer que o Brasil que é mostrado pelo governo brasileiro e pelas tropas da Minustah (militares) para os haitianos no Haiti é um Brasil bem diferente do que encontramos aqui. O Brasil é acolhedor, o povo é amigo, solidário. Mas também encontramos muito preconceito e desrespeito. Queremos trabalhar isso com os nossos compatriotas no Haiti e aqui também com os brasileiros. Somos povos irmãos. Nós, haitianos que chegamos aqui no Brasil, viemos buscar vida digna, condições para viver bem, construir família e queremos ajudar a construir o Brasil, não viemos invadir ou ocupar o trabalho dos brasileiros. Queremos dignidade e respeito. Diante desta história que descreve a situação da migração, porque saímos de nosso país e por que buscamos melhores condições aqui no Brasil, um grupo de jovens haitianos decidiram reunir-se para discutir sobre os problemas enfrentados e pensar em soluções. Após muita reflexão foi criada uma associação que se chama “União social dos imigrantes Haitianos (U.S.I.H)” criada no dia 11 de setembro de 2014. Essa organização tem como objetivo favorecer para que os haitianos tenham melhores condições de vida, colaborar na prestação de serviço para minimizar os problemas enfrentados pelos haitianos nos mais diferentes serviços, oferecer formação profissionalizante, assim como cursos de idioma (português e outros), e propomos uma integração fundamentada na promoção de uma vida digna para todos os imigrantes haitianos em colaboração com a sociedade, movimentos e organizações sociais e governo brasileiro. Queremos construir soluções a partir de nós mesmos, nós os imigrantes haitianos chegados em território brasileiro, respeitando a cultura local, os costumes e as leis, mas construir as nossas próprias soluções.