01/10/2026
Tem decisão que leva minutos para ser tomada e uma vida inteira para ser vivida.
Às vezes é uma demissão, uma separação, uma mudança inesperada. Às vezes somos nós que decidimos. Outras, alguém decide por nós. Mas, depois que acontece, não importa quanto tempo levou para decidir ou quais foram os motivos que nos levaram até aquela decisão. Ela entra na nossa história e passa a fazer parte da maneira como vamos seguir vivendo.
João conta uma cena que sempre me faz pensar nisso. Pilatos havia dito mais de uma vez que não encontrava culpa em Jesus. Ele sabia que estava diante de um inocente. Mesmo assim, quando sustentar aquilo começou a lhe custar politicamente, cedeu à pressão e o entregou à crucificação.
Pilatos continuou sua vida. Maria também. Mas não do mesmo jeito. Para ele, aquela decisão podia ficar para trás. Para ela, significava continuar vivendo sem o filho que estava vendo morrer diante dos próprios olhos.
É isso que às vezes esquecemos sobre decisões importantes. Elas podem terminar para quem decide, mas continuar acontecendo por muito tempo na vida de quem terá de conviver com suas consequências. Neste domingo, estaremos diante de uma decisão assim.
Só que, diferente de Pilatos, o que escolhermos não vai afetar apenas a vida dos outros. Vai chegar à nossa casa, à nossa família, ao nosso trabalho, às pessoas que amamos e à própria vida que teremos de continuar vivendo.
Por isso, que Deus nos dê mais do que sabedoria para votar. Que nos dê força de caráter para não entregar a consciência à pressão, lucidez para não confundir paixão política com verdade, humildade para não colocar nossos interesses acima de tudo e coragem para pensar nas consequências antes que deixem de ser escolha e se tornem realidade.
Porque, depois da urna, a vida vai continuar. Mais leve ou mais pesada, ela vai continuar.