14/09/2026
Ch. Boás Souza
CHEFE BOÁS PEREIRA DE SOUZA. UM GUARDIÃO DO ESCOTISMO TRADICIONAL.
A história do escotismo brasileiro também é feita por homens e mulheres que, muitas vezes longe dos grandes centros e dos holofotes, decidiram manter acesa a chama do ideal escoteiro. No Rio Grande do Norte, entre esses nomes está o do Chefe Boás Pereira de Souza, uma liderança cuja trajetória se confunde com a preservação do Escotismo Tradicional potiguar.
Em janeiro de 1986, diante do fechamento de grupos e do enfraquecimento de atividades escoteiras no estado, Boás Pereira decidiu não permanecer apenas como espectador. Reuniu outros chefes, entre eles Moisés Pereira, Jairo Paiva, José Bezerra, João Batista e Vlanir Morais, além de pais e colaboradores, para discutir a criação de uma nova unidade escoteira.
Desse movimento nasceu, em 22 de fevereiro de 1986, em Natal, o Grupo Escoteiro Tenente Everaldo Pereira de Souza — GETEPS.
Naquele momento, Boás deixou registrada uma frase que traduz muito de sua visão sobre o movimento:
“Nosso Grupo não será nem pior nem melhor... apenas diferente, seremos Escoteiros.”
Mais do que uma frase, era uma declaração de princípios. O grupo deveria manter viva a essência do método escoteiro, valorizando a formação do caráter, a responsabilidade, a disciplina, a vida ao ar livre, o serviço e a fraternidade.
Anos mais tarde, diante das transformações que atingiram o movimento escoteiro, o GETEPS decidiu preservar sua identidade dentro do Escotismo Tradicional, buscando inspiração diretamente nos ensinamentos de Robert Baden-Powell, especialmente em Escotismo para Rapazes e no Guia do Chefe Escoteiro.
É nesse contexto que a importância de Boás ultrapassa os limites de um único grupo. Sua atuação contribuiu para manter uma alternativa escoteira viva no Rio Grande do Norte e para fortalecer uma corrente que defendia a preservação de determinados princípios e práticas tradicionais do Movimento Escoteiro.
Sua história também demonstra que o escotismo não vive apenas de grandes eventos, uniformes ou distintivos. Vive principalmente de pessoas dispostas a assumir responsabilidades quando outros desistem.
Boás Pereira de Souza representa, portanto, uma geração de chefes que acreditou que preservar o escotismo também é uma forma de servir. Seu legado está nas atividades realizadas, nos jovens orientados, nos chefes que caminharam ao seu lado e, sobretudo, na continuidade de uma chama que poderia ter se apagado.
No Rio Grande do Norte, seu nome permanece ligado à história do Escotismo Tradicional. E, dentro da história maior do escotismo brasileiro, sua trajetória merece ser lembrada como exemplo de perseverança, liderança e compromisso com uma ideia simples e poderosa: ser escoteiro é muito mais do que vestir um uniforme; é assumir um modo de viver.
Porque enquanto houver alguém disposto a ensinar, servir e manter viva a chama, o espírito escoteiro continuará caminhando.
O Guardião da Chama Escoteira.