14/06/2026
Aos que me fazem bem, eu queria deixar uma gratidão sem pressa.
Não falo apenas de quem esteve nos dias bonitos, com mesa cheia, foto sorrindo e assunto leve. Falo de quem ficou quando eu estava difícil de entender. De quem percebeu meu silêncio antes de ele virar pedido. De quem mandou uma mensagem simples, dessas que chegam sem cobrança e acabam segurando a gente por dentro.
Tem pessoas que entram na nossa vida como quem acende a luz da cozinha de manhã. Sem espetáculo. Só chegam, ficam por perto, perguntam se já comemos, lembram de um detalhe pequeno, fazem uma graça no momento certo, respeitam quando a gente precisa ficar quieto. Elas não resolvem tudo, mas tornam o peso menos bruto.
A essas pessoas, minha gratidão.
Pelas conversas que não viraram julgamento. Pelos abraços sem pressa. Pelas vezes em que me ouviram repetir a mesma dor e ainda assim não me trataram como incômodo. Pelas caronas, pelos cafés, pelos “chegou bem?”, pelos conselhos ditos com cuidado, pelas broncas que vieram com ternura e pelos silêncios que não abandonaram.
A gente costuma lembrar muito de quem machucou. Guarda frase atravessada, ausência, decepção, porta batida. Mas hoje eu quero lembrar de quem foi abrigo. De quem não fez barulho, mas permaneceu. De quem me viu em pedaços pequenos e não usou isso contra mim. De quem me ajudou a voltar para casa dentro de mim mesmo.
Algumas pessoas são descanso em forma de gente.
Aparecem no meio da confusão e a respiração muda. O dia ainda está pesado, a vida ainda cobra, os problemas continuam sobre a mesa, mas a presença delas tira um pouco da aspereza das coisas. Não precisam dizer muito. Só existem de um jeito que faz bem.
Aos que me fazem bem, obrigado por não passarem pela minha vida de qualquer jeito. Obrigado por deixarem marcas limpas, dessas que a memória guarda sem doer. Que a vida devolva a vocês, em dobro e com delicadeza, todo bem que já me ofereceram.