09/06/2026
🍰👩🏾🌾🌱 Bolo de cará e de fubá com goiabada, bolinho de chuva, bolachinhas de polvilho, paçoca de amendoim, chás de erva cidreira e de alfavaca doce, seis tipos de banana, beiju. E, ainda, “apressada” – um tipo de bolo de fubá.
Esses são alguns dos itens que constam na lista da chamada pública da alimentação escolar de Iporanga, no Vale do Ribeira (SP), região que concentra um grande número de quilombolas e está numa das áreas mais preservadas da Mata Atlântica. É dessas florestas, rios, roças, quintais e cozinhas que está saindo parte da alimentação que irá para as escolas.
Isso só é possível devido à adequação de políticas públicas de aquisição de alimentos, como o PNAE e o PAA, à realidade dos territórios tradicionais.
Uma série de gargalos ainda impede que a política pública alcance um número maior de povos e comunidades tradicionais no país. Mas, com os avanços feitos até agora, chamadas públicas específicas para indígenas, quilombolas e povos e comunidades tradicionais, possibilitam mais cores e diversidade nos pratos dos estudantes. E também alimentos que muitos de nós nem ouviu falar.
Entre esses alimentos está o Berarubu. O preparo tradicional entre os indígenas Kayapó e Xikrin está chegando à alimentação escolar na região da Terra do Meio, no Pará. Feita com os alimentos colhidos, pescados e coletados em meio à floresta. Outros alimentos são a golosa, o inajá, o cacauí.
A professora e artesã Ipikiri Asurini entrega alimentos da sua roça na escola da comunidade Ita´Aka, na Terra Indígena (TI) Koatinemo, em Altamira (PA). “Nessa aldeia, a maioria é família. Eu entrego tudo natural. Então, assim, eu me sinto bem feliz, que eles estão comendo umas coisas que vem da roça, não que vem da cidade. Então pra mim é bom isso”, diz.
Adequar a política pública fortalece o PAA e o PNAE e promove a segurança e a soberania alimentar. Mas os efeitos vão além. Ao incentivar as roças tradicionais, cultivadas em meio às florestas, esses programas fortalecem culturas e contribuem para a proteção ambiental, atuando também como importante política climática e de biodiversidade.
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