04/11/2024
GRUPO IDEIA FORÇA INFILTRADO NO MPLA ,TRAIRAM A REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA E POPULAR EM ANGOLA E VENDERAM A INDEPENDÊNCIA AO MONPÓLIO INTERNACIONAL, DAQUI A LEGITIMIDADE DO DSPA/TPO - PROJECTO ANGOLA URGENTE (2024/2027) Eis a seguir as provas....!
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CARTA DE VIRIATO DA CRUZ A MATIAS MIGUÉIS 31/1/1963
Caro Matias, Sinceros votos de saúde,
Recebi e agradeço a tua carta
1-Quanto ao dinheiro, o meu ponto de vista é que é justo utilizá-lo para actividades que vão (ao) encontro de uma verdadeira luta anticolonialista. Penso ser este o vosso objectivo.
2-Qaunto á vossa actividade aí, pouco tenho a dizer porque estou ainda profundamente abalado pelo comportamento (que não esperava) de um certo numero de antigos ´´ companheiros ´´ em que havia depositado confiança
A meu ver, uma politica nova e oposta á que se começou a praticar no Movimento deverá começar por onde começam todas as politicas libertadoras: dizer a verdade, dizer a verdade aos militantes, ao povo e á opinião pública. A verdade é revolucionária. A verdade é a mais elementar arma de uma revolução.
A contra – revolução e a política reaccionária começam sempre com o uso da mentira e da fraude ou com o silencio cúmplice da mentira e da fraude. Isso foi sempre assim, infalivelmente, desde que começou a opressão do homem pelo homem.
Por isso, penso que a primeira atitude, hoje, é não impedir que digam a verdade, aqueles que o queriam dizer. É começando assim que a juventude principalmente ganhara coragem e experiencia. E á vista de traições graves aos interesses do povo, Angola precisa de uma juventude autenticamente revolucionária, que seja capaz de lutar pela verdade.
3-.Agradeço dizer aos jovens que vou enviar-lhes ainda hoje uma carta um pouco extensa. Não me esqueci de ninguém. Escreve para o seguinte endereço: Da Cruz V.,62, rue Henri Popp,Rabat.
4-Tomei em devida consideração o teu pedido. Farei brevemente uma viagem para tratar desse assunto e doutros.
5-Estou de acordo em que é preciso fazer um trabalho clandestino. Mas este trabalho só não chega. Acho que é também indispensável fomentar abertamente um clima de insegurança para esse grupo de ussurpadores fascista. / referia-se ao (Grupo Ideia Força)/GIF
Aguardo as tuas notícias.
O meu melhor abraço ao Ze Domingos e a todos os amigos.
(rubrica de V. Cruz)
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CARTA DE VIRIATO DA CRUZ A ZÉ MIGUEL, BORGES, SANTOS, AMARO E LUIS MIGUEL, 56 ANOS DEPOIS PROVA «CRISE E CONHECIMENTO IMPOSTO»EIS AQUI PALAVRAS PROFETICAS DE VIRIATO DA CRUZ , QUE SERVE DE INSPIRAÇÃO A UT-MPLA/FRUA, E NÃO SO, PROVA EVIDENTE DA EXISTENCIA DA CRISE DE CONHECIMENTO IMPOSTO.
31/1/1963
Estimados camaradas Zé Miguel, Borges, Santos e Luís Miguel;
Antes de tudo, peço (que) me desculpem o atraso com que vos respondo. Ao chegar aqui, caí doente com algumas complicações pulmonares.
1-Julgo que o tempo decorrido, assim como os acontecimentos que se desenrolaram aí até ao presente permitem-me que aborde nesta carta alguns problemas do nosso Movimento.
Estou convencido de que os factos e a vossa própria experiencia confirmam hoje, a mudança inaceitável que previ e denunciei há poucos meses. Sobre o que se vem passando, vocês sabem melhor que eu. Mas talvez seja útil relembrar algumas das causas que vêm alterando gravemente a politica tradicional que fez o nosso Movimento.
2-Como vocês sabem, a luta pela independência não deve ser monopolizada por nenhuma classe (ou grupo). Todos os patriotas – comerciantes, agricultores, camponeses, ricos, e pobres – devem ter lugar no nosso Movimento de libertação nacional. Por esta razão, a palavra–de-ordem união do povo inteiro , é uma palavra-de-ordem justa. Mas uma coisa é a união e outra coisa é o resultado final da luta pela libertação nacional.
O resultado final desta luta define o conteúdo da independência que um povo conquistou . Mesmo com a união do povo inteiro, a luta pela libertação nacional pode vir a ter resultados finais diferentes. O segredo dessas diferenças de resultados finais da luta esta na natureza do órgão que dirige a luta.
Se a luta for dirigida por indivíduos que não estão, conscientemente ou inconscientemente, interessados na libertação das massas populares, o resultado final da luta será magro ou quase nulo para as massas que mais sofreram durante a opressão colonial. (caso concreto de Angola 50 anos depois)Desde que abrimos o bureau de Léo, o nosso Movimento dedicou-se, no máximo das suas possibilidades, á preparação de quadros de origem popular e ligados ás massas.
(intelectuais negros)Essa nossa política não agradou certamente aos colonialistas, porque estes preferem sempre formar uma elite de privilegiados do que formar quadros de origem popular.(preferem negros intelectuais). (Por isso, em 1942/1946 fundaram o CEI- p/ fins neocoloniais, donde foram educados e preparados os eus defensores ).
Em Maio de 1962, quando se fez a remodelação temporária do Comité Director, os indivíduos que foram promovidos á direcção do Movimento não tinham títulos especiais e alguns deles tinham fortes laços com as massas.(eram considerados intelectuais negros, diferente de negro intelectual)
O carácter desta remodelação não agradou ainda mais aos colonialistas, mas também não agradou a certos militantes do nosso Movimento que durante o regime colonial tiveram o privilégio de obter títulos.
Esses indivíduos pensaram assim: que o Movimento forme quadros de base ligados as massas, isso ainda se tolera, desde que esses quadros sejam dirigidos por indivíduos que garantam uma revolução com limites,isto é, uma revolução que salvaguarde certas conveniências; mas se o Movimento passa também a ser dirigido por indivíduos ligados às massas e fiéis aos profundos interesses do Povo, isso é já um grande perigo para as classes privilegiadas.
(Eis aqui o porque - o combate a fraccionismo nao é um principio revolucionario, mas contra revolucionario )
Foi a partir desse momento que um certo numero de militantes (Videira, Lima, Santos & Ca) começou a agir no sentido de levar o movimento para o caminho onde hoje se encontra.
A chegada de Neto veio ajudar a politica que esse grupo de indivíduos vinha planeando, pois Neto concordou com a política desse grupo.
A partir dessa altura, o Neto colocou ao serviço da política desse grupo o «prestígio» exagerado que nós tínhamos criado em torno da sua pessoa.)Um outro golpe, que veio ajudar a politica desse grupo, foi o facto de o Mário Pinto de Andrade, ter passado, ilegalmente, todo o dinheiro do Movimento para as mãos do Neto. (Que Traição! Daqui a legitimidade do DSPA /Destituiçao P.I )
A partir desse momento, esse grupo começou a financiar os seus correligionários (Videira,Boal, etc) ,a fazer pressões materiais sobre os militantes que não estavam de acordo com eles, a comprar gente, e a sabotar descaradamente os trabalhos do Movimento.
(Eis Provas - Crimes de A.T.P./GIF)Ao mesmo tempo que o grupo utilizava essa táctica, o Viana (ao serviço do grupo) encarregava-se de divertir a atenção dos militantes mais activos do Movimento com as baboseiras do seu «plano de acção» Com essa táctica de diversão, o Viana e o grupo tinham em vista, principalmente , isolar-me, impedir que os militantes activos se unissem a mim. ( Ver acta de reuniao CD de 12/10/62)
É bom talvez que neste momento, todos vocês tenham presente, na vossa memoria as tácticas que eles utilizaram, as quais se resumem afinal em: intriga, calunia, monopólio dos meios materiais do Movimento, corrupção, sabotagem e diversão.(ainda hoje continua a ser aplicado passados que sao mais 6 decadas) Pela utilização destes métodos que o grupo usava podia prever-se já, nesse momento, a espécie de política que eles pretendiam impor ao Movimento.
Mas infelizmente, por ingenuidade, ou por boa-fé, quase todos os militantes honestos não viram a tempo o desastre que se preparava.(Este desastre chamava-se recolonizaçao de Angola, ja na sua 3 fase)
No entanto, o grupo usou alguns métodos bem grosseiros, como sejam: o envio para fronteira dos soldados que me conheciam, a habitação forçada da família Lima no quartel a fim de vigiar e comprar soldados, o envio do Spencer para Cotonou, a integração do Boal e do Videira no Comité Preparatório da Conferencia, etc. (Estas practicas continuam ate aos dias de hoje garantido pela recolonização)
Que a política desse grupo foi imposta ao Movimento, vocês mesmo o sabem, pois alguns de vocês puderam ver os métodos anti-democraticos, fascistas, que o grupo utilizou durante a Conferencia realizada em Dezembro/62. (Daqui que as resoluçoes dessa saida tornam se nulas hoje) Mas, infelizmente, alguns responsáveis do Movimento só passaram a opor-se á politica do grupo, quando não viram os seus nomes na lista que o grupo apresentou a Conferência.
3-Qual é , no fundo ,a politica desse grupo ?
Esse grupo é formado por indivíduos que para se sentirem completamente livres bastar-lhes-á participar, na Angola independente, do poder político e g***r de grandes facilidades para obter os meios para levar uma vida privilegiada.
Enquanto para o povo poder sentir que a independência melhorou realmente a sua vida, será necessário tomar medidas profundas na Angola independente - para os indivíduos do referido grupo sentirem que a independência melhorou realmente a sua vida, bastará que se tomem, amanha em Angola, algumas medidas superficiais ou parciais.
Alem disso, os indivíduos do referido grupo sabem muito bem que as independências em África, de uma maneira quase geral, têm significado, na realidade, a promoção ode uma elite para os postes de direcção da nação, enquanto as massas pouco ou nada beneficiam com as independências.(V.C., ja havia denunciado em 1959, no 2 Congresso dos artistas afroasiatico, Roma)
Pode-se dizer, em resumo, que essas independências têm apenas criado castas privilegiadas nativas, que como os antigos colonos, passam por sua vez, a explorar e a oprimir o povo.
A este fenómeno que, actualmente, alguns estudiosos dos jovens Estados independentes vêm chamando do ´´colonialismo de classe ´´- o ´´ colonialismo ´´ das castas privilegiadas nativas. / que se conhece hoje como ´´neocolonialismo ´´e ou novo colonialismo /
Os indivíduos do referido grupo sabem bem que a maneira mais fácil para eles amanha fazerem parte de uma casta privilegiada angolana consiste em estarem, hoje, á frente de um partido político. Como ele não podiam fundar um partido que tivesse sucesso, resolveram ´´ tomar de assalto ´´ (como dizia o vigarista do Viana) o nosso Movimento.
Não foi por acaso que alguns médicos, que deveriam servir melhor o povo com a ciência médica, resolveram abandonar os refugiados doentes no Congo para vir para o exterior fazer treinos militar. Quem acredita porventura, que cinco ou seis médicos com treinos militares irão modificar o curso da guerra em Angola?
Onde está provado que um medico militar seja melhor soldado do que um cidadão sem formação universitária?
4-A fim de levarem Angola para a ´´ independência ´´ que eles querem , esses indivíduos vem defendendo , desde há muitos meses atrás, a teoria de que o neocolonialismo é inevitável em Angola, e vem afirmando a mentira, de que o nosso Movimento não praticava no passado , o neutralismo positivo, e que eles é que vão passar a praticar uma politica de neutralismo .
O que pretendem eles com essas teorias? Eles pretendem:
1-Justificar todas as espécies de compromissos que eles irão fazer com os interesses neocolonialistas . (O que se pode esperar de um Santos que tinha como amigos seus em Leo, os portugueses Simões e Torres ?
O que pode esperar de um Lara , que é cunhado do irmão do antigo ministro da guerra, Santos Costa?
Não foi por acaso ainda que, por exemplo , em 15 de Setembro de 1962, o Agostinho Neto enviou uma carta ao general Humberto Delegado, carta essa que começava assim: ´´ Aprendi a admirar o nome de V. Excia ainda em Portugal….´´ e terminava nestes termos: ´´ estou inteiramente a disposição de V.Excia ´´
2-Justificar todos os passos que eles vão dar no plano internacional, em nome do neutralismo positivo.
5-Nenhum movimento de libertação nacional pode ser levado ao melhor fim possível, se ele for dirigido por indivíduos que pensam que o neocolonialismo é inevitável. Essa ideia diminui a combatividade do movimento, utiliza cinicamente o sacrifício de milhares de combatentes que lutam e morrem por uma independência real, abre as portas do movimento á imoralidade e á corrupção, dá lugar a uma política oportunista e sem princípios
Toda a verdadeira revolução nacionalista deve ser feita com a ideia e a convicção de que se pode conquistar uma independência real. O resultado final de uma revolução nacionalista depende do ardor e da convicção que o povo e os dirigentes puserem na luta. E um verdadeiro movimento revolucionário é aquele que diante do resultado final da luta poderá dizer: ´´ Conseguimos o que nos foi possível, e fizemos tudo quanto nos foi possível ´´
Mas esse grupo não quer uma independência conquista dessa maneira. E a prova é que esse grupo vem dividindo o Movimento, sabotando a unidade deste, e provocando o afastamento do Movimento de patriotas provados.
Ora, todos sabemos que a força principal de um movimento de libertação nacional é a união de todos os patriotas. Aqueles que desprezam ou destroem essa união não querem, na verdade, conquistar uma independência real para o povo. (caso concreto do grupo ideia força e pares).
6-Por outro lado, vocês queixam-se de que se prática hoje, no Movimento uma politica de perseguição, uma politica policial e de pressão moral e material. Sei, desde há muito tempo, o de que seria capaz um certo número de actuais dirigentes e responsáveis do Movimento.
Apesar de essa gente ter utilizado no passado, uma linguagem revolucionária e de terem propalado a ideia de fraternidade e de unidade, eu sabia, no entanto, que - pela educação que receberam e pelas ambições que escondiam no fundo de sua consciência – eles eram capazes de actos egoístas e odiosos.
Foi por esta razão que, enquanto fui secretário-geral, impedi habilidosamente que eles usassem as varas do Movimento. Infelizmente, confirma-se, hoje, o velho provérbio: Se queres conhecer o vilão põe-lhe a vara na mão. Essa gente só tem demonstrado que apreendeu bem e não esqueceu as lições do colonialismo fascista português.
Cada pessoa faz o que sabe e eles não podem fazer melhor do que apreenderam. Por outro lado á frente do Movimento, eles vêem mostrando, em pequena escala, o que farão amanha se estiverem á frente do Estado Angolano.
A razão principal por que alguns dos meus ex-colegas de direcção dizem opor-se aos meus métodos de trabalho é que eu não lhes deixei no passado, agarrar e utilizar as varas do Movimento.
Nem nunca permiti, nem permitiria a escandalosa política, que hoje se faz, de pôr por exemplo, um Lima á frente das questões de guerra, um Lima que em Portugal era considerado agente da PIDE e que transmite á mulher os segredos que sabe; a escandalosa politica de consentir que a mulher do Lara tenha as chaves da nossa caixa postal em Conacry e abra a correspondência dirigida ao Movimento, e que a mulher do Viana tivesse as chaves do Bureau de Conacry onde estão arquivos importantes do Movimento.
Mas qual é afinal a diferença politica entre portugueses e angolanos?
7-Evidentemente que não devemos assistir indiferente e inactivos a essa politica desastrosa.
É necessário reconquistar uma política acertada. Costuma-se dizer que, quem quer faz, quem não quer, espera. Tudo o que é necessário ao progresso do homem e do povo conquista-se com a luta e com o trabalho.
Creio que tenho alguma moral para vos falar assim, porque desde Agosto de 1962 que venho tentando, pela palavra e por escrito, esclarecer a nova situação. Tenho muita confiança na juventude. A juventude é generosa, a energia, o amor a verdade, a semente que leva em si o futuro. A Angola de amanha será o que for hoje a sua juventude. Nenhuma política errada poderá triunfar se a juventude se mantiver vigilante, combativa e fiel aos interesses profundos do nosso povo.
O que deverá fazer a juventude?
Não vos esqueceis nunca, camaradas, que todas políticas de libertação começam por amar a verdade e dizer a verdade. Todos os partidos de libertação começam sem dinheiro, sem apoio das massas e sem armas. Mas esses partidos nascem, crescem impõem-se e ganham a vitoria, principiando por amar e por defender a verdade. A verdade é, foi e será sempre a aliada fiel dos oprimidos e dos explorados, do povo enfim.
Toda a politica contra-revolucionária ou reaccionária começa com a mentira e com a fraude.
O veneno dos frutos de uma árvore já estava na semente que deu origem a árvores. Isso é a lei da vida.
O que havia, pois a esperar da politica actual do Movimento, a qual começou com a intriga, a calunia, e a divisão?
Dessas sementes só poderíamos esperar os frutos venenosos da humilhação e da perseguição de que sofremos hoje os patriotas sinceros do Movimento.
Por isso o, aconselho-vos a defender corajosamente a verdade.
Vocês sabem bem que é somente o povo que faz a história. As grandes obras e os grandes desastres não podem ser feitos sem a contribuição da imensa força do povo. Por isso, aconselho-vos a trabalhar no meio do povo. Esclarecei-o.
Mostrai-lhe a mentira e a verdade. Impedi que ele regue com o seu suor, com o seu sangue e com o seu dinheiro as sementes que vão dar amanha frutos venenosos. Conduzi a imensa força do povo somente para a realização de obras que lhe sejam úteis, e contra a opressão e a exploração actuais e futuras.
A política de progresso é aquela que não subordina os interesses da revolução aos interesses do presente. Se quisermos amanha uma Angola onde floresça uma democracia política e social de que o povo seja o principal beneficiário, é indispensável que esse objectivo futuro não seja sacrificado a certos interesses do presente. A política que sacrifica os interesses do futuro aos interesses do presente é uma política oportunista. Nem todas as facilidades que o presente oferece são boas.
Se o povo angolano fosse a escolher somente os caminhos das facilidades, ele nunca se teria levantado para lutar contra a escravidão colonial. Todo o progresso exige que se aproveite as facilidades honestas e que se faça frente as dificuldades com o sacrifício necessário.
Por isso, aconselho-vos a que vos mantenhais fiéis aos princípios revolucionários que fizeram o nosso Movimento. Não vos deixeis corromper, pensando apenas nos interesses do presente. Sei que alguns camaradas pensam que as lutas que devemos travar contra as actuais tendências dominantes do Movimento deveram ser apenas clandestina. A meu ver, é necessário, sim, fazer uma luta clandestina; mas só clandestina é insuficiente.
Em primeiro lugar, quando a luta é completamente clandestina, os adversários pensam que têm mais força do que possuem na realidade e pensam, ainda, que aqueles que se opõem a eles têm medo da sua força.
Ora, é preciso evitar que os adversários cheguem a ter esse sentimento, porque, se isto suceder, eles, tornar-se-ão arrogantes e não hesitarão em tomar medidas sanguinárias contra os que se lhes opõem. É preciso impedir que os adversários se sintam em terreno completamente conquistado. É indispensável fazer sentir constantemente aos adversários que eles não estão seguros sobre os seus próprios pés.
Por outro lado, não deveis renunciar nunca ao vosso direito de exprimir abertamente as vossas ideias e a vossa posição. Ninguém respeita os direitos daqueles que abandonam os seus próprios direitos.
Se nos calarmos por medo, estaremos a legalizar a ordem policial e odiosa que um grupo de pessoas pretende impor ao Movimento. É por essas razões, que penso que a luta clandestina deve ser acompanhada também, e a todo o momento, por uma luta aberta, declarada, contra as actuais tendências dominantes do Movimento.
O MPLA é de todos os militantes. E podeis estar certos de que a maioria dos que hoje estão a frente do Movimento não pode justificar suas posições actuais pelo seu trabalho dentro do Movimento, no passado. Essa maioria possui muito mais do que merece.
Mesmo o Neto o, que ao contrario da propaganda muito exagerada que fizemos sobre ele no passado, não foi nada um dos fundadores do Movimento; so aderiu ao MPLA quando saiu de Portugal em Junho do ano passado; e foi, alias, um dos últimos africanos em Portugal a convencer-se de que a independência das colónias não estava dependente da instauração da democracia em Portugal. É uma verdade incontestável que o Neto não tem nenhuma divida a cobrar dentro do MPLA.
Por isso, não vos acanheis dentro do MPLA. O Movimento é vosso também e principalmente vosso. E autorizo que todos os verdadeiros militantes do MPLA ajam dentro do Movimento como se fossem, por exemplo, os legítimos do meu trabalho. ( Eis aqui porque a UT-MPLA/FRUA, não poupa esforço nesta luta ).-Não vos tomeis de complexo de inferioridade diante de indivíduos com títulos. A política não se aprende nas universidades, mas defendendo corajosamente os interesses do povo, defendendo a verdade, a justiça e democracia.
É absolutamente necessário para vocês que (a) JMPLA, tenha uma nova direcção. Vocês deverão participar na nova direcção da JMPLA. Para já deveis , a meu ver ,levar o Videira a demitir-se ou a afastar-se da direcção da JMPLA.O Videira é um jovem cínico e demasiado ambicioso .Depois da remodelação do C.Director, em Maio ode 1962, ele qualificou essa remodelação como uma ´´ vendilhagem ´´, uma vendilhagem da direcção do Movimento aos negros.
Uma das razoes porque ele apoia servilmente o Neto é que ele (como aliás, uns tantos como ele) pensa que o Neto é a garantia de que o Movimento nunca será dirigido por negros. Nem outra é a posição do Lara.
Recebei, caros camaradas, as minhas saudações cordiais
BILHETE DE VIRIATO DA CRUZ a MATIAS MIGUÉIS; sem data
Caro Miguéis, Saúde!Acho que não deves sair daí. Dentro de dias, devo sair em viagem. Verei se arranjarei meios materiais. Dadas as manifestas irregularidades que se cometeram na Conferencia de Dezembro, penso que é preciso levantar os militantes para pedir uma nova Conferencia. Ao mesmo tempo, deve-se fazer uma campanha para saída do Lima, Desidério, Melo do Comité Director. Quem cala consente. E, a meu ver, é preciso, nem calar, nem consentir.
(rubrica de Viriato da Cruz)
CARTA DE VIRIATO DA CRUZ A MATIAS MIGUEIS, 6/2/1963
Na tua carta para o Graça dizes que vais fazer uma pausa nas tuas actividades políticas. Não sei bem quais sejam as razões. Talvez tenhas todas as razoes para faze-lo. E afinal de contas és tu que decides do teu destino.
Mas se me permites uma opinião, devo dizer-te que, a meu ver, não pode haver pausa, ao menos para desmascarar junto do povo as manobras daqueles que, como tu mesmo pressentes, serão capazes de levar o povo para caminhos nocivos. Se nos formos a calar, legalizaremos a arbitrariedade e a perseguição odiosa, tal como os colonos portugueses vem fazendo no nosso país. (infelizmente estas práticas nocivas continuaram depois da independência).
Acho que é preciso prosseguir, sem parar, numa política de esclarecimento das massas. Esconder a verdade das massas é votá-las as piores aventuras….
O meu melhor abraço
(rubrica de V.Cruz)
Escrevo-te fora de Africa. Verei o que poderei fazer. Nao me esqueci de vós.
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