20/05/2026
ASSOCIAÇÃO DAS VIÚVAS, ÓRFÃOS E VÍTIMAS DOS ACONTECIMENTOS DE OUTUBRO DE 1998 EM SANZA POMBO – AVOVI-SP.1998
“Memória e Justiça”
CARTA ABERTA
À Direcção da UNITA
C/C: Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos – CIVICOP
C/C: Presidência da República de Angola
C/C: Governo Provincial do Uíge
Assunto: Pedido de esclarecimento sobre o massacre de mais de 180 cidadãos de Sanza Pombo e sobre a “reducação” das famílias – Outubro de 1998, no quadro do Luto Nacional
Luanda, 22 de Maio de 2026
Excelências,
A AVOVI-SP, no dia em que Angola cumpre Luto Nacional pelas vítimas do conflito armado, dirige-se à Direcção da UNITA para pedir verdade e reconciliação.
Dos Factos e da Dimensão da Tragédia
Em Outubro de 1998, forças militares da UNITA sob comando do General Apolo ocuparam Sanza Pombo.
Estima-se que mais de 180 cidadãos foram detidos. Os homens foram levados para Makokola, Município de Kimbele, onde testemunhos indicam execuções em massa. As esposas e filhos foram levadas para a fazenda SAGANHA, Município de Milunga, e submetidas a trabalhos forçados num processo denominado “REDUCAÇÃO”.
Das Vítimas Nomeadas – Para que não sejam números
Entre as mais de 180 vítimas levadas para Makokola, a AVOVI-SP consegue nomear:
Dr. Alegria – Médico, Director do Hospital Municipal de Sanza Pombo, membro da UNITA-Renovada;
Major Fernando Mbandua – Oficial, irmão da Dra. Judite Mbandua, esposa do malogrado Vice-Presidente da UNITA, General Dembo;
TC. Likoko – Oficial;
António Mbianda – Soba do Bairro Kimikondondo;
Nzinga Pedro Mbianda – Neto do Soba António Mbianda;
Sr. Cosme Máquina – Membro do Secretariado Municipal da UNITA-Renovada;
Sr. Visão – Secretário Provincial da JURA;
Prof. Janota Adriano – Director Municipal Adjunto da Educação no GURN.
Esta lista representa apenas uma fração. A maioria dos 180+ ainda não tem nome nesta carta porque as famílias têm medo ou ainda não foram localizadas. As sobreviventes da fazenda SAGANHA são testemunhas vivas desta tragédia.
Do Pedido à Direcção da UNITA
No espírito do Luto Nacional, e porque a verdade liberta, a AVOVI-SP solicita:
Esclarecimento sobre o destino dos mais de 180 cidadãos de Sanza Pombo levados para Makokola em Outubro de 1998;
Indicação da localização das valas comuns em Makokola para intervenção urgente da CIVICOP;
Reconhecimento e esclarecimento sobre a detenção de mulheres e crianças na fazenda SAGANHA, Milunga, e os trabalhos forçados de “reducação”;
Apelo direto ao General Apolo e outros comandantes da época para colaborarem com a CIVICOP, indicando os locais e as circunstâncias;
Diálogo com a AVOVI-SP para recolha de mais nomes e testemunhos das sobreviventes de SAGANHA.
Fundamento
O Luto Nacional decretado pelo Presidente da República é por todas as vítimas. As 180+ almas de Makokola e as mães de SAGANHA também são Angola. O facto de entre as vítimas constar o Major Fernando Mbandua, familiar direto da liderança histórica da UNITA, mostra que esta dor atravessa todos os lados.
Conclusão
180 famílias de Sanza Pombo estão de luto há 28 anos. Hoje, no Luto Nacional, pedimos que nos deixem enterrar os nossos mortos. Pedimos que as sobreviventes de SAGANHA sejam ouvidas.
Que Makokola entregue os seus segredos. Que SAGANHA seja reconhecida. Que Angola cure esta ferida.
Com respeito e esperança,
Pela Direcção da AVOVI-SP.1998
[ANTONIO KINKANI /Presidente]
Sobrevivente da Fazenda SAGANHA / Familiar de vítimas.
Contacto: 955636796
email:
Subscritores:
Viúvas, órfãos e sobreviventes de Fazenda SAGANHA.