SANZA POMBO

SANZA POMBO ASSOCIAÇÃO DE APOIO ÀS VIÚVAS, ÓRFÃOS E SOBREVIVENTES DO SANZA POMBO 1999. A

15/07/2026
ASSOCIAÇÃO DAS VIÚVAS, ÓRFÃOS E VÍTIMAS DOS ACONTECIMENTOS DE OUTUBRO DE 1998 EM SANZA POMBO – AVOVI-SP.1998 “Memória e ...
20/05/2026

ASSOCIAÇÃO DAS VIÚVAS, ÓRFÃOS E VÍTIMAS DOS ACONTECIMENTOS DE OUTUBRO DE 1998 EM SANZA POMBO – AVOVI-SP.1998
“Memória e Justiça”

CARTA ABERTA

À Direcção da UNITA
C/C: Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos – CIVICOP
C/C: Presidência da República de Angola
C/C: Governo Provincial do Uíge

Assunto: Pedido de esclarecimento sobre o massacre de mais de 180 cidadãos de Sanza Pombo e sobre a “reducação” das famílias – Outubro de 1998, no quadro do Luto Nacional

Luanda, 22 de Maio de 2026

Excelências,

A AVOVI-SP, no dia em que Angola cumpre Luto Nacional pelas vítimas do conflito armado, dirige-se à Direcção da UNITA para pedir verdade e reconciliação.

Dos Factos e da Dimensão da Tragédia
Em Outubro de 1998, forças militares da UNITA sob comando do General Apolo ocuparam Sanza Pombo.

Estima-se que mais de 180 cidadãos foram detidos. Os homens foram levados para Makokola, Município de Kimbele, onde testemunhos indicam execuções em massa. As esposas e filhos foram levadas para a fazenda SAGANHA, Município de Milunga, e submetidas a trabalhos forçados num processo denominado “REDUCAÇÃO”.

Das Vítimas Nomeadas – Para que não sejam números
Entre as mais de 180 vítimas levadas para Makokola, a AVOVI-SP consegue nomear:

Dr. Alegria – Médico, Director do Hospital Municipal de Sanza Pombo, membro da UNITA-Renovada;
Major Fernando Mbandua – Oficial, irmão da Dra. Judite Mbandua, esposa do malogrado Vice-Presidente da UNITA, General Dembo;
TC. Likoko – Oficial;
António Mbianda – Soba do Bairro Kimikondondo;
Nzinga Pedro Mbianda – Neto do Soba António Mbianda;
Sr. Cosme Máquina – Membro do Secretariado Municipal da UNITA-Renovada;
Sr. Visão – Secretário Provincial da JURA;
Prof. Janota Adriano – Director Municipal Adjunto da Educação no GURN.

Esta lista representa apenas uma fração. A maioria dos 180+ ainda não tem nome nesta carta porque as famílias têm medo ou ainda não foram localizadas. As sobreviventes da fazenda SAGANHA são testemunhas vivas desta tragédia.

Do Pedido à Direcção da UNITA
No espírito do Luto Nacional, e porque a verdade liberta, a AVOVI-SP solicita:

Esclarecimento sobre o destino dos mais de 180 cidadãos de Sanza Pombo levados para Makokola em Outubro de 1998;
Indicação da localização das valas comuns em Makokola para intervenção urgente da CIVICOP;
Reconhecimento e esclarecimento sobre a detenção de mulheres e crianças na fazenda SAGANHA, Milunga, e os trabalhos forçados de “reducação”;
Apelo direto ao General Apolo e outros comandantes da época para colaborarem com a CIVICOP, indicando os locais e as circunstâncias;
Diálogo com a AVOVI-SP para recolha de mais nomes e testemunhos das sobreviventes de SAGANHA.

Fundamento
O Luto Nacional decretado pelo Presidente da República é por todas as vítimas. As 180+ almas de Makokola e as mães de SAGANHA também são Angola. O facto de entre as vítimas constar o Major Fernando Mbandua, familiar direto da liderança histórica da UNITA, mostra que esta dor atravessa todos os lados.

Conclusão
180 famílias de Sanza Pombo estão de luto há 28 anos. Hoje, no Luto Nacional, pedimos que nos deixem enterrar os nossos mortos. Pedimos que as sobreviventes de SAGANHA sejam ouvidas.

Que Makokola entregue os seus segredos. Que SAGANHA seja reconhecida. Que Angola cure esta ferida.

Com respeito e esperança,

Pela Direcção da AVOVI-SP.1998
[ANTONIO KINKANI /Presidente]

Sobrevivente da Fazenda SAGANHA / Familiar de vítimas.
Contacto: 955636796
email:

Subscritores:
Viúvas, órfãos e sobreviventes de Fazenda SAGANHA.

Em Outubro de 1998, Sanza Pombo esteve no centro da retomada da guerra civil angolana. Foi o mês em que o processo de pa...
20/05/2026

Em Outubro de 1998, Sanza Pombo esteve no centro da retomada da guerra civil angolana. Foi o mês em que o processo de paz rebentou de vez.

Contexto rápido:
Depois dos Acordos de Lusaka em 1994, havia paz podre. A UNITA não desmobilizou totalmente e o governo do MPLA também manteve forças. Em 1998 a desconfiança explodiu.

O que aconteceu em Sanza Pombo:

Ofensiva da UNITA: Em meados de Outubro de 1998, forças da UNITA lançaram ataques em larga escala no norte, incluindo na província do Uíge. Sanza Pombo foi um dos municípios tomados.
Queda da vila: As Forças Armadas Angolanas - FAA recuaram da vila de Sanza Pombo perante o avanço da UNITA. A população civil fugiu para as matas e para a sede provincial do Uíge.
Importância estratégica: Sanza Pombo f**a numa zona de acesso entre Uíge e as Lundas. Controlar Sanza Pombo dava à UNITA corredor para movimentar tropas e diamantes de garimpo.
Consequências: A vila ficou sob controlo da UNITA até finais de 1999/início de 2000, quando as FAA lançaram a contra-ofensiva que retomou grande parte do norte. Durante a ocupação houve destruição de infraestruturas, minas terrestres plantadas nas picadas e deslocamento em massa da população.

Resumo direto:
Outubro de 1998 marcou a tomada de Sanza Pombo pela UNITA quando a guerra recomeçou. Foi parte da grande ofensiva que arrastou Angola de volta para guerra total até 2002. A população sofreu com deslocamento, fome e minas. A vila só voltou a controlo do governo mais de um ano depois.

COMUNICADO DOS ÓRFÃOS E VIÚVAS DO MASSACRE DE SANZA POMBO – 1999*Nós, órfãos e viúvas das vítimas do massacre ocorrido e...
15/04/2026

COMUNICADO DOS ÓRFÃOS E VIÚVAS DO MASSACRE DE SANZA POMBO – 1999*

Nós, órfãos e viúvas das vítimas do massacre ocorrido em 1999 no município de Sanza Pombo, província do Uíge, vimos a público exigir verdade e dignidade para os nossos entes queridos.

Passados 27 anos, continuamos à espera que o Sr. General Apolo Yakuvela indique à Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) o local onde se encontram as ossadas dos nossos familiares.

Mais de 180 pessoas foram mortas, entre elas o nosso i, Dr. Alegría, e outros dirigentes do vosso partido, antigos colegas vossos. Foram executados por militares da UNITA sob o vosso comando. O motivo: não terem regressado às matas e terem aderido à UNITA Renovada.

Aquando da retomada da vila sede de Sanza Pombo pelas forças residuais sob vosso comando, os nossos pais foram atraídos com a falsa promessa de que fariam reciclagem militar e seriam rearmados. Foi uma mentira.

Foram levados para a região do Uamba, onde os separaram das esposas e dos filhos. As mulheres foram encaminhadas para o município de Milunga, para a Fazenda SAGANHA, onde foram submetidas a trabalhos forçados no campo.

*O nosso clamor é simples: queremos realizar os óbitos e dar um enterro condigno aos nossos mortos.*

Hoje, filhos e viúvas continuam abandonados à própria sorte.

A justiça de Deus não falha.

*Assinam:* Órfãos e Viúvas do Massacre de Sanza Pombo – 1999
*Data:* 15 de Abril de 2026

A Unita jamais será poder em Angola 🇦🇴 o povo Angolano não pode permitir que isto aconteça!Levavam jovens mulheres e cri...
10/04/2026

A Unita jamais será poder em Angola 🇦🇴 o povo Angolano não pode permitir que isto aconteça!

Levavam jovens mulheres e crianças a força das aldeias para as matas, as jovens eram transformadas em Juras as damas dos mais velhos(chefe) Quém esteve lá sabe o que estou a dizer!…

10/04/2026

A perseguição ao General Dembo e a todos os oficiais e estruturas que com ele trabalharam começou muito antes de 1999.

Quando as forças da UNITA retomaram a vila sede do Município de Sanza Pombo, na província do Uíge, encontraram antigos colegas que haviam trabalhado com o General Dembo.

Após a sua saída, ficou como responsável o Brigadeiro Alex, que mais tarde abandonou a posição e rendeu-se, seguindo para Luanda.
Deixou para trás cerca de 200 a 300 homens, juntamente com as suas famílias — esposas e filhos.

Estes homens haviam aderido à chamada UNITA Renovada, ligada ao movimento de Manuvakola, e não regressaram às matas.

Quando o General Apolo Yekuvela e as suas forças retomaram a vila, reuniram todos esses antigos colegas que não tinham voltado à vida militar ativa nas matas.

Sob o pretexto de que seriam levados para bases como Kakalwiti ou Huambo, foram deslocados — mas o destino foi outro.

Foram conduzidos até à aldeia Makila.

Lá, os homens foram separados das suas esposas e filhos, com a promessa de que passariam por uma “reciclagem” para receber novas armas e fardamento.
Entre eles havia médicos, coronéis, tenentes-coronéis e outros quadros. Podemos citar alguns nomes:
Ex:Dr. Alegria Médico e especialista na altura como diretor do Hospital municipal pois, estáva no GURN. Este deixou 2 esposas e 10filhos, estão localizados!
Prof. Visão e este último era na altura como secretário Províncial da Jura da Unita renovada!
Prof. Dr. Razão um jovem promissor natural do Sanza Pombo
Tenente Coronel. Likoko.
Major: Jacinto Mbandua, irmão do General Mbandua. Este também deixou a viúva e filhas,
Sr. Cosme. Por sinal esposo da ex presidente da Lima do Uige Dra. Mena
Pai dos Dres. Alberto Cosme médico no hospital do Bengo atualmente! E José Cosme professor no Uige.

Só para citar alguns!…

As esposas foram levadas para o município de Milunga, na fazenda RIMAGA. Violadas e submetidas a trabalhos forçados do campo. Chamaram isto na reeducação!

Os homens… nunca chegaram ao destino prometido.

Foram mortos ao longo do percurso.

Eu perdi o meu irmão nesta ação.

As mulheres, por sua vez, foram violadas e submetidas a trabalhos forçados no campo.

🕯️ Esta é uma história que não pode ser esquecida.
E nós ás viúvas e órfãos, pedimos ao Governo e a CIVICOP para instar o partido Unita na pessoa do General Apolo Felino Yakuvela para mostrar o local exato por onde fizeram estas execuções sumárias para dar as a famílias a possibilidade de enterrar os seus mortos em paz!

👉 Queres conhecer mais sobre este acontecimento?
Segue a página.

Nos próximos conteúdos, vamos partilhar depoimentos de viúvas e sobreviventes destas atrocidades, bem como testemunhos de quem viveu estes momentos.

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