30/12/2025
Há dores que não pedem palco
Nem discursos altos.
Há nomes que merecem justiça,
Não bandeiras.
Belma é voz,
Mesmo no silêncio.
Enquanto discutem,
Ela espera que o mundo
Aprenda a escutar
Sem explorar.
Há quem cante votos
Como quem conta feridas.
Medem o sofrimento em palcos,
Transformam o choro em espetáculo.
Tudo vira moda, até o choro.
A dor alheia vira discurso bem ensaiado,
Não para curar a ferida aberta,
Mas para manter os microfones ligados.
Poucos se importam de verdade:
Um espetáculo puro de hipocrisia e falsidade.
Vocês não têm vergonha!
Promessas nascem do luto,
Da ferida do outro,
Mas morrem quando o microfone se desliga.
As mãos que apontam os erros do sistema
São as mesmas que nunca oferecem abrigo.
Falam em nome do povo
Sem ouvir a sua respiração.
Também estamos cansados de vocês,
Seus abutres,
Que transformam a dor alheia
Num espetáculo que só beneficia a vocês mesmos,
À espera de mais seguidores.
Usam lágrimas como argumento,
Esquecem os rostos das vítimas
Quando a câmara se apaga.
Enquanto isso, a dor segue viva
Em quem realmente sente.
A nossa dor não cabe
Em frases de campanha
Para desmoralizar o sistema.
A nossa dor é real.
Belma pede justiça,
E não espetáculo.
Autora: Odeth Livingui