09/03/2026
Até 2024, o possível substituto do antigo Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, era o então presidente Ebrahim Raisi, bem como o seu filho, Mojtaba Khamenei. Contudo, com a morte de Raisi em 2024, passou a existir apenas um candidato com maior projeção para a sucessão. A principal autoridade política no país é o Líder Supremo, enquanto o presidente, dentro da estrutura do regime, assume um papel mais limitado e, em muitos casos, predominantemente simbólico.
Nos últimos tempos, o Irã tem enfrentado um cenário de crise económica, situação que tem gerado diversos protestos populares. Muitos desses protestos têm sido controlados com forte repressão por parte da Guarda Revolucionária, considerada o principal braço militar e ideológico do regime, responsável por garantir a preservação da revolução.
Após a revolução de 1979, a Guarda Revolucionária tinha inicialmente a função de proteger e manter o regime instaurado. Contudo, com o enfraquecimento do exército regular tradicionalmente responsável pela defesa nacional a Guarda Revolucionária passou gradualmente a expandir a sua influência, alcançando não apenas o campo militar, mas também setores estratégicos da economia e da política do país. Alguns analistas defendem inclusive que a morte de Raisi pode ter sido resultado de uma ação planejada por indivíduos ligados à própria Guarda Revolucionária.
Caso Raisi tivesse chegado à posição de Líder Supremo, poderia ter promovido mudanças significativas no regime, o que possivelmente resultaria no enfraquecimento da influência da Guarda Revolucionária em determinados setores do Estado. Paralelamente, as manifestações contra a corrupção no país têm aumentado nos últimos anos, revelando um crescente descontentamento social.
Por outro lado, a eventual ascensão de Mojtaba Khamenei ao cargo de Líder Supremo poderia, em teoria, garantir a continuidade das ideias e da linha política de seu pai, Ali Khamenei. Mojtaba tem sido frequentemente associado à Guarda Revolucionária e a setores conservadores do regime.
Importa ainda salientar que a sua nomeação poderia desencadear novas ondas de insatisfação popular. Isso porque o regime atual surgiu após a derrubada da monarquia durante a Iranian Revolution, o que historicamente demonstrou uma rejeição ao modelo de transmissão hereditária do poder. Assim, a sucessão de pai para filho poderia ser interpretada por parte da sociedade iraniana como uma contradição em relação aos princípios que fundamentaram a revolução.